segunda-feira, 13 de setembro de 2021

LINHA MESTRE DE TRABALHOS ESPIRITUAIS DOS PRETOS-VELHOS

 LINHA MESTRE DE TRABALHOS ESPIRITUAIS DOS PRETOS-VELHOS


Pode ser uma imagem de 1 pessoaRepresenta em suas naturezas espirituais a manifestação da fé, humildade, sabedoria, caridade e maturidade.
A Linha dos Pretos-Velhos é a que através da humildade, amor, caridade e compreensão, consolam os aflitos,
reanimam os fracos e a tudo perdoam, se houver arrependimento. Representam um grupo social sofrido e discriminado; um grupo que apesar de ter sido tirado à força de sua terra natal, de ter sido tratado de uma forma revoltosa (passaram por 378 anos de escravidão), não perderam sua religiosidade nem o respeito pelas entidades ancestrais cultuadas pelos seus. Este grupo foi, em grande parte, responsável pelas bases da nossa sociedade e da nossa querida Umbanda.
Assim, os Pretos-Velhos trazem para nós o arquétipo da humildade, da paciência, da sabedoria, do amor, da bondade; São detentores de uma grande luz e conhecimento e em várias encarnações foram sacerdotes e filósofos, ou seja, homens de um profundo conhecimento dos mundos espiritual e humano.
Os Guias Espirituais que trabalham nessa Linha Espiritual são anciões, detentores de uma grande sabedoria adquirida durante milênios, e são possuidores de um grau de evolução muito elevado.
Em um Terreiro, prestando atenção nessas queridas entidades que nos amparam, veremos que são verdadeiros “Pais” e “Mães” para todos que os procuram. Eles têm sempre uma palavra de consolo, um conselho sábio, uma paciência infinita para com as imperfeições do ser humano e uma bondade sem tamanho; São seres de muita luz, e de muito conhecimento, incapazes de cultivar a discórdia e são grandes apaziguadores de situações difíceis. Prestando ainda mais atenção, pode-se ver que eles já desenvolveram todas as boas qualidades e sentimentos puros de que vimos falando e que estão sempre a nos amparar e amar. São os grandes semeadores e divulgadores do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Os Pretos-Velhos são muitíssimos respeitados e são seres de grande atuação. Sobre a atuação dos Pretos Velhos, podemos dizer que são entidades curadoras das doenças da alma e do corpo, assim como são entidades ativas para “desmanchar” magias negras e trazer a paz dentro dos lares e das pessoas. Não devemos nos deixar enganar pela sua fala mansa e humilde, e aparente desinformação sobre as coisas terrenas, pois esta é só uma das formas de se apresentarem a nós e de se revestirem de uma grande humildade.
Por trás do jeito humilde, do linguajar simples, encontraremos palavras de grande sabedoria, grandes conselhos e ensinamentos que, se seguidos e respeitados, Nos levarão ao caminho reto até o Pai Celestial, pois seguem as diretrizes de Nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fielmente o Seu Evangelho Redentor.
Em suas mensagens, esses Guias Espirituais maravilhosos sempre passam um exemplo, uma comparação, ou uma oração oriunda das palavras da fé cristã. Além disso, a sua “forma de vir a Terra”, sempre curvados e exercendo uma enorme força ao se locomoverem mostram que suas presenças vêm
de um grande sacrifício, e, por serem, Espíritos utilizando a roupagem fluídica arquetípica de ex-escravos, nos
mostram que, embora sofreram e padeceram em vida, mas em Espírito estão ali, prestes a dar uma orientação,
uma palavra de conforto, uma ajuda a quem quer que seja mostrando uma resignação comparável somente a
de Cristo.
Uma outra forma de identificação dos Pretos-Velhos com a cristandade são os elementos trabalhados por esses
Guias Espirituais, como: o Rosário, a Cruz, o Cruzeiro das Almas, seus pontos riscados, a utilização de rezas como o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Nos abençoam em nome do Senhor Jesus, da Mãe Maria Santíssima, da Mãe Senhora Aparecida. Os nomes que os Pretos-Velhos adotam também denunciam sua ligação cristã, pois estão, quase sempre, vinculados aos Santos ou aos Anjos, como: Pai João, Vovó Catarina, Pai José, Vovó Maria, Mãe Aparecida, Pai Cipriano, Vovó Ana, Vovó Rita, Pai José do Cruzeiro, Pai Miguel, Pai Rafael, Pai Gabriel, etc.
Fonte: Excerto do livro: O rosário das almas santas

O 1º PRETO VELHO

  O 1º PRETO VELHO


Pode ser arte de 1 pessoaUma antiga lenda contada por velhos juremeiros do Nordeste diz que o primeiro mestre negro que chegou no Brasil se chamava Joaquim.
Este era seu nome de batismo cristão. Seu nome africano, provavelmente em língua kimbundu, se perdeu.
Mestre Joaquim era sábio de nascença. Na Mãe África, em terras de Angola, desde cedo ele observava os kimbandas ou curandeiros locais. Joaquim aprendia tudo o que via. Levado por um tio materno, um grande kimbanda, ele recebeu cedinho a sua iniciação no culto, Joaquim foi ensinado a observar a Natureza e a descobrir o mistério atrás de cada folha, raiz e árvore.
Mãe Ntoto, o grande Nkizi (espírito natural e transcendente) da Terra, acolheu o jovenzinho e transmitiu sua bênção regeneradora a ele.
Crescido, o rapaz não teve tempo de formar família. Guerras tribais o levaram longe da aldeia, onde foi aprisionado e embarcado para a distante nação brasileira.
Desembarcando em porto nordestino, foi vendido. Trabalhou na lavoura dia após dia. Quieto, mas não passivo, observou o sofrimento de seu povo.
Nas poucas horas de tranquilidade atendia aos doentes. Com o auxílio dos espíritos de Mãe Ntoto, descobriu as funções das ervas que aqui cresciam. Preparava breves, poções e mezinhas.
Quando tinha chance, amoitava-se e penetrava no mato, onde falava com os espíritos locais, invocava os ancestrais e rezava aos Minkizi (o conjunto dos Nkizi).
Certo dia foi procurado por um índio velho, que administrava uma pequena propriedade de um capataz branco. O índio tinha observado as atividades de Joaquim no mato e ficou muito curioso...
Uma amizade forte e espiritual nasceu deste encontro. Foi com este índio que Joaquim conheceu os poderes da Jurema.
Numa noite ele bebeu da cuia de Jurema do velho tuxaua, sentiu seu corpo frio como a morte, percebeu a mente crescer e ganhar asas...
A alma de Joaquim voou pelos céus e viu as casas ficarem pequeninas, a Lua ficar mais perto e as estrelas parecerem mais brilhantes.
Lá no firmamento parecia existir uma luz desconhecida e ele seguiu até lá. O luzeiro foi ficando mais perto e Joaquim encontrou uma aldeia, com gente, casa e tudo.
Um cacique desconhecido chegou perto dele e o recebeu com alegria e dignidade. Joaquim entrara misteriosa na Cidade dos Mestres, na Aldeia do Juremal ! O que ele realmente viu e aprendeu lá nunca contou a ninguém. Mas quando voltou à terra dos encarnados, ele não era mais um Joaquim, era o Mestre Joaquim!
O tempo corria e nosso mestre, ainda escravo, foi consumindo seu corpo no serviço desumano imposto a sua raça.
Um tarde ele se aconchegou depois do trabalho, fechou os olhos e morreu. Sua alma foi levada novamente para a Cidade Santa e entrou triunfalmente no santuário da Mãe Jurema, louvado pelos mestres e mestras, profetas e guerreiros.
Certa madrugada uns caboclos montaram uma mesa (sessão espiritual de jurema), cantaram e abriram as portas reais.
Os mestres do Outro Mundo foram baixando um após o outro. Tudo era harmonia e beleza! Um caboclo maduro e mais escuro cantou:
“Mestre Joaquim, é kimbanda!
Veio trabalhar, é kimbanda!
Mestre Joaquim é de Angola,
é kimbanda! É kimbanda!”*
(Nos Pontos ou Linhos mais modernos e populares, a palavra “é kimbanda”, ou seja “é curandeiro”, transformou-se em “esquimbanda”.
Daí perdemos o sentido tradicional africano.)
Esta foi a primeira vez que Mestre Joaquim acostou (baixou ou incorporou na linguagem dos juremeiros) e desde então começou seu eterno exercício de caridade, fruto do amor maior e da ciência sublime.
Mestre Joaquim de Angola, de cachimbo na mão e chapéu na cabeça: O Rei negro da Jurema Sagrada!
O tempo passou depressa... A Umbanda ainda não tinha nascido, mas Mestre Joaquim já procurava outros agrupamentos para levar a sua missão. O negro bantu nunca temeu seus ancestrais e sempre colocou suas almas benditas no coração quente que batia de saudades. Lá nas praias do Nordeste, nas montanhas de Minas Gerais ou no sopé dos morros cariocas, nosso mestre juremeiro africano batia sua bengala e dava seu nome:
Pai Joaquim de Angola! Imagem da bondade, da sabedoria e da humildade.
Quando a Umbanda veio a este mundo, gestada na luz de Cristo, no Axé dos Orixás e Minkizis e abençoada pela energia dos pajés, Pai Joaquim foi um dos primeiros guias a se apresentar.
Afinal já era preto velho diplomado! Pai Joaquim baixou e nunca parou de trabalhar.
“Pai Joaquim, ê, ê,
Pai Joaquim, ê á,
Pai Joaquim veio de Angola,
Pai Joaquim é de Angola, Angola á!”
*Usamos neste artigo a palavra Kimbanda em seu sentido tradicional: curandeiro ou xamã bantu. Não é, portanto, uma referência ao quimbandeiro ou praticante da Quimbanda, culto sincrético com poucos elementos bantu.
Por Edmundo Pellizari. Fonte: Jornal de Umbanda Sagrada.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

PROFUNDO... Por favor, nos fale mais sobre o “reino” que as entidades obsessoras criam na Terra. Por Pai Tomé.

 PROFUNDO...
Por favor, nos fale mais sobre o “reino” que as entidades obsessoras criam na Terra.
Por Pai Tomé.


Pode ser arte de 1 pessoaObserve que existem Espíritos que são tratados como reis, rainhas, príncipes e princesas. Adoram festas e banquetes, roupas brilhantes, bebidas, elogios e sensualidade. Mimam seus médiuns e atendem suas vontades de satisfação dos mais ocultos desejos, desde que estes sejam submissos e serviçais. Devido à cega subserviência e adoração, afinal se colocam como “divindades”, conseguem farta quantidade de tônus vital – ectoplasma –, necessário para plasmarem pequenas “bolhas”, ou esferas vibratórias, tornando-se provisoriamente imunes à lei de reencarnação. Imantam-se na contraparte etérica desses terreiros e criam verdadeiras cidadelas ou “reinos”.
Ocorre que a impermanência que a tudo permeia no Plano Astral e material terreno fará com que seus médiuns envelheçam e pereçam, deixando de lhes fornecer as refeições sacrificiais. Por vezes, o efeito de retorno do magnetismo telúrico, que impõe a reencarnação para o perispírito denso não se degradar, é imediato. Como bananas amassadas por pisadas de elefantes, podem sofrer um processo de ovoidização, em que seu perispírito perde a sua forma humana. Ficarão nesse estado de petrificação consciencial, no mínimo, pelo mesmo tempo que conseguiram burlar a imperiosa reencarnação.
Literalmente, transformam-se em pedras duras e áridas nos vales dos umbrais inferiores. Somente com a intercessão superior à Misericordiosa Divina serão autorizadas suas imediatas reencarnações sumárias, no mais das vezes em penosas condições, que darão a eles o choque fluídico adequado para que seus corpos astrais – períspiritos – não se degradem. Não é incomum que essas encarnações se efetivem em planetas inferiores e primários, onde a necessidade de caça é o meio de sobrevivência.
DO LIVRO ESTRELA GUIA - O POVO DO ORIENTE NA UMBANDA. Pai Tomé - Norberto Peixoto.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

RELATO EMOCIONANTE DE UMA MÃE E SEU AMOR PELA UMBANDA!

 RELATO EMOCIONANTE DE UMA MÃE E SEU AMOR PELA UMBANDA!


Pode ser uma imagem de 1 pessoaEla tinha tudo para desistir, mas a Umbanda a acolheu!

Valentina tem dois anos, nasceu portadora de microcefalia e paralisia cerebral; um anjo em forma de gente. Mesmo com todas as suas limitações, aprendo com ela mais do que ensino. Foi através dela que eu conheci pessoas maravilhosas, que hoje são meus irmãos de fé.

Valentina com um aninho foi diagnosticada também com a Síndrome de West, que provoca convulsões de difícil controle. Ela tomava três anti-convulsivos, que eram como água. Passou por muitas trocas de medicamentos e nada melhorava, parecia que só piorava. Com muitas convulsões diárias, minha guerreira estava desaprendendo tudo que havia aprendido até então, até mesmo a respirar.

Os médicos disseram que iriam fazer uma cirurgia de traqueostomia, para poder respirar. Eu entrei em desespero. Já não acreditava em mais nada, minha fé estava acabando, eu já me via sem forças para tudo o que estava acontecendo, mas foi nesse momento que, através da minha guerreira, conheci um amigo que sempre estava nos ajudando, porém nunca havíamos conversado sobre religião.

Ele sempre vinha nos visitar e ajudar com seu pai, até que um dia eu perguntei a ele qual era sua religião, e ele me respondeu que era umbandista e que toda a ajuda que levava era fruto das doações dos médiuns e consulentes do Centro. Eu tinha uma visão nada legal sobre a Umbanda, mas a cada visita que ele nos fazia, nos deixava muita Paz.

Eu nada entendia sobre essa religião, mas um belo dia senti no meu coração vontade de perguntar a ele quando teria gira, pois eu queria fazer uma visita para conhecer e agradecer a todos pelo carinho, mesmo de longe, com a minha Valentina. Ele me respondeu que a próxima gira seria de Preto Velho, fiquei ansiosa para chegar o dia.

No dia da gira, tudo deu errado para que eu não conseguisse ir, mas uma força maior trabalhando ao nosso favor, nos ajudou para que conseguíssemos chegar. Nessa época, Valentina passava muito mal, as convulsões não paravam, e eu como mãe sofria muito por vê-la com todos aqueles problemas, sem poder fazer nada. Mal eu sabia que estava no caminho certo. Nessa primeira visita, passamos pela primeira consulta com a Vovó Maria da Bahia, Preta Velha de uma das Zeladoras da Casa; Mãe Tereza, que me lembro como se fosse hoje. Eu tremia, meu coração estava acelerado, com medo, super nervosa. Chorei muito com a Vovó e ganhei um abraço acolhedor e cheio de amor, escutei palavras que amenizaram a minha dor e me deixaram mais calma.

A Vovó pegou a minha Valentina no colo, deu um passe, rezou e disse que sempre que precisássemos dela, era só chama-la, e que mesmo que nós não víssemos, ela estaria lá para nos ajudar. Disse que a partir daquele dia estaria sempre ao nosso lado. Saí muito bem e confiante, depois da consulta e apaixonada por aquele lugar e pela Umbanda.

Depois do primeiro passe com a que hoje chamo, carinhosamente de nossa vovozinha, tudo mudou. Valentina no outro dia já estava muito melhor e milagrosamente estava muito mais calma, tendo apenas uma pequena convulsão.

Aprendi naquele dia que nada é por acaso; que todas as dificuldades que estávamos passando aconteceram para chegarmos aonde estamos hoje. Valentina hoje praticamente não tem mais convulsões, das emergências dos hospitais que não saíamos, hoje graças a Deus, a nossa Vovozinha e a nossa Umbanda, quase desconhecemos, ela hoje brinca, corresponde aos nossos estímulos, nossas brincadeiras e vive sorrindo. Percebi que tudo aquilo que eu pensava sobre a Umbanda e tudo o que as pessoas falavam, não era verdade.

Eu fui, eu vi, eu conheci e o mais importante, eu senti Deus ali, naquele lugar, agindo na minha vida e na vida da minha família. Hoje nós somos muito felizes, com muita esperança de que ainda mais vitórias na vida da nossa Valentina está por vir. Hoje, com muito orgulho, nós fazemos parte do Centro Umbandista Abaçá de Obaluaê, e a Umbanda é o nosso caminho para chegar a Deus

Diálogo com Pai Joaquim de Angola !!!!

 Diálogo com Pai Joaquim de Angola !!!!


Pode ser uma imagem de 2 pessoas, barba e pessoas fumandoCerta Vez em terra sentando em meu toco se aproximou um filho de fé se ajoelhou me olhou e disse : Ah meu velho eu sou sair da Umbanda nada funciona eu me dedico ao máximo me entrego e não vejo nada mudar estou de saco cheio estou cansado isso tudo aqui não passa de mentira.

Pacientemente eu com um carinho de pai que acolhe um filho em desespero passei a mão no rosto daquele filho de fé é disse :

Filho olhe em sua volta , olhe cada pessoa que esta dentro desta casa você acha que elas também não passa por problemas , você acha que a vida delas e um Jardim sem espinhos. Filho nada adianta você colocar o branco aqui durante a gira mas quando você passa daquela porteira pra fora você julga , você condena as pessoas. Em seu lar você não respeita sua mãe e seu pai em dias que não tem sessão você para na porta de um boteco e bebe até perde os sentindo é sem se dar conta e sugado por obsessores.

Filho o trabalho da Umbanda ultrapassa o espaço físico de um terreiro não adianta ser Somente boa pessoa aqui dentro é lá fora ser uma má pessoa.

A Escolha e sua de sair ou não desta casa mas tenha certeza que eu jamais irei sair da sua vida. Que este humilde velho jamais deixara de vibrar por você Serei sempre este velho pai , amigo de sempre você estando ou não de roupa branca. Porém lembre-se meu filho se você não se permitir mudar você não vai ver melhora alguma em sua vida.

Quando eu velho levantei a cabeça o filho de fé estava chorando e pedindo perdão por não ver que a culpa das coisas não estarem dando certo era somente dele , ele compreendeu que um guia sozinho não pode fazer tudo se seu aparelho não colaborar .

Foi aí que peguei este filho pela mão e levei ele até o congá e disse: filho não é a este velho que você deve pedir perdão fique de joelhos eleve seu pensamento e converse com pai oxalá peça a ele o perdão, pois oxalá ele esta de braços abertos sempre acolhendo todos os filhos de fé sem distinção, ele acolhe , ele abriga mas ele pai oxalá também ensina ele ensina que se você não caminhar nada vai mudar.

Mudança de hábitos este e o verdadeiro ensinamento da Umbanda. Enquanto o filho chorava de joelhos enfrente a imagem de Oxalá eu voltei pro toco novamente para trabalhar além dele tinha outros filhos para explicar que a força da Umbanda vai além de um Congá.

Pai Joaquim de Angola

Lições de Preto-Velho

 Lições de Preto-Velho


Nenhuma descrição de foto disponível.Nos meus primeiros passos na umbanda, ainda como consulente, uma Cabocla muito esperta me perguntou se eu tinha fé e eu respondi:
– Eu tenho dúvida.
Respondi esperando a bronca, o sermão sobre como a fé é importante e que eu deveria me corrigir para chegar ao paraíso (ou algo do tipo).
Acostumada como estava com os ensinamentos da igreja sobre certo e errado, paraíso ou inferno eternos, não imaginei que existiria uma religião que admitisse e aceitasse que eu não fosse perfeita, nem quisesse me impor a salvação ou o inferno eterno caso eu não seguisse à risca os preceitos religiosos.
A resposta da cabocla foi:
– Isso é bom! A dúvida é a porta de entrada do caminho da fé. Graças à dúvida, fia vai atrás da verdade e quando encontrar a verdade, encontrará a sua fé.
As palavras dela foram como beber agua geladinha em dia de calor. Ela, da forma mais simples do mundo, havia transformado o que eu considerava um defeito, uma falta, em benção, em graça.
E hoje, já médium de passe dentro do terreiro, o Preto-Velho que me acompanha e me guia, disse a uma consulente que se sentia decepcionada pelas pessoas religiosas que tinham defeitos, porque na cabeça dela, se a pessoa abraçou uma religião ela tinha que ser, no mínimo, santa e não cometer os erros que “pessoas comuns” cometem, como mentira, falsidade, etc.
E ele disse:
– Fia não pode julgar as pessoas pelo que fia vê, porque tem toda uma história por trás dessa pessoa que fia não conhece. Se fia um dia andasse com os sapatos dela, é capaz que fia fizesse as coisas igualzinho a pessoa faz, cometesse os mesmos erros que julga agora a pessoa cometer.
“Todo mundo tem defeito, eu mesmo também os tenho. Fia acha que eu sou santo? Não fia… sou igual todo mundo, tive que aprender do jeito mais difícil, tive que perdoar, tive que entender um monte de coisa, e ainda tenho o que aprender porque é assim fia, o aprendizado é para sempre, a gente morre e volta e aprende lá e cá e isso é assim pra sempre.”
“Fia não deve se preocupar com as outras pessoas, porque elas estão fazendo o que estão evoluídas para fazer, fia deve se preocupar só com o que fia tem de aprender e cada um de nós um dia vai chegar onde precisa chegar. Em vez de julgar o erro do outro, fia tenta se por no lugar do outro e viver a vida do outro, se fia não consegue fazer isso então fia, apenas aceite que as pessoas estão evoluindo e aprendendo e segue seu caminho evoluindo e aprendendo.”
Novamente eles aceitando que temos erros, e se mostrando falhos também. Não seres completamente desprovidos de errar, mas pessoas como nós, que um dia também erraram, e estão evoluindo, assim como todos nós.
Talvez seja isso o que eu mais gosto na umbanda. Ela aceita que eu tenha defeitos, entende que eu tenho lições a aprender e é extremamente compreensiva com minhas falhas. Uma religião que não exige que eu seja perfeita para então receber a recompensa do paraíso, ou o inferno caso eu continue no erro. Mas exige de mim que eu continue sempre aprendendo e evoluindo e que me diz que eu vou aprender pelo amor ou pela dor, e isso cabe a mim escolher. Uma religião que eu não vai virar as costas para mim se eu errar, vai estar lá segurando minha mão enquanto eu estiver pagando pelas escolhas erradas que eu fizer. E vai me acolher sempre que eu necessitar. Mesmo que as vezes, para mim na cegueira do ego, esteja achando que eu estou abandonada.
Saravá Pai Antonio pelo aprendizado de hoje.

terça-feira, 27 de julho de 2021

LINHAS DE TRABALHO - COMO DESENVOLVER OS BAIANOS?

 LINHAS DE TRABALHO - COMO DESENVOLVER OS BAIANOS?


Pode ser uma ilustração de 1 pessoa e em péÉ uma linha que está sempre disposta a ajudar aqueles que neles acreditam, dando conselhos e muita proteção, porém os baianos não trabalham apenas na Umbanda, muitos atuam na Quimbanda também, geralmente não descem nos trabalhos de esquerda, mas tem a permissão para atuar no plano espiritual.

São espíritos alegre, brincalhões, descontraídos e com uma força muito grande para desmanchar trabalhos e quebrar demandas, bons conselheiros, gostam das festas que são destinadas à eles e nelas as Casas costumam utilizar como pratos a serem ofertados, os típicos da Bahia.

Os baianos nas giras ele se apresentam com forte traço regionalista, principalmente em seu modo de falar cantado, diferente, eles são do tipo que não levam desaforo pra casa, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente, são carinhosos e passam segurança ao consulente que tem fé.

Mais como desenvolver meu baiano?

No meu entender o ponto de força dessas entidades são as praias e os coqueiros, vou compartilhar de que forma seria o desenvolvimento utilizando como referência esses lugares...

Quando chegar o desenvolvimento dessa linha, feche os olhos e mentalmente dirija-se para praia, sinta o vento, a brisa, o cheiro da maresia, o sol e o vento bem agradável, procure uma sombra debaixo de um coqueiro...sinta em tuas mãos a areia da praia, sinta no teu rosto o vento soprar, os coqueiros balançando...sinta o axé dos baianos em seu corpo, a energia firme e a fé deles em ti...veja que lentamente um baiano ou uma baiana se aproxima de ti, com passos calmos e a cada respiração tua ele vai se tornando mais nítido, vibrante e forte na tua mente. Converse com essa entidade que se aproxima, peça que risque seu ponto na areia e assim mostre sua identidade, preste atenção nos adereços que ele carrega, no tipo de fumo, qual bebida está em suas mãos, pode ser uma pinga, uma água de coco, se usa chapéu, turbante, saia....Sinta o poder dessa entidade envolvendo teu corpo e tua mente, faça isso em todos os desenvolvimentos destinados à essa linha e sentirá cada vez mais força, segurança, confiança e uma vibração mais intensa a cada desenvolvimento na linha dos baianos.

Axé a todos!
Texto de Mara Rúbia