quarta-feira, 10 de maio de 2017

PAI ZULUA



Olá irmãos


Que a paz de Oxalá esteja com todos


A postagem de hoje é a primeira homenagem a um preto-velho específico, este mês terá algumas postagens assim, como em janeiro fiz com alguns caboclos. Pai Zulua, é um espírito muito querido por mim, pois é o dirigente do terreiro que frequento, e todos nós médiuns deste templo temos esta entidade como um pai carnal, um ser da nossa familia mesmo.Sempre com uma palavra doce, meiga faz os nossos problemas parecerem coisas fúteis, e fáceis de reslvermos, pois é só ter determinação para combate-las, como diz nosso guia espiritual.
Nosso querido Pai Zulua foi um "soba" isto é, rei na aldeia africana, mas depois de ver seu pov dizimado se aliou as forças negativas com sede de vingança, foi resgato por um Guardião, e só depois de um tempo aprendeu que não nos cabe julgar, devemos aprender a lidar com os designíos de Deus, ou Zambi como ele mesmo diz. Quem quiser conhecer melhor esta história o livro dele é vendido aqui no blog.
Fica aqui então a homenagem a este grande ser de luz, e obrigado por fazer parte da sua familia Pai Zulua.

ORAÇÃO AOS PRETOS VELHOS

Meu pensamento eleva-se ao teu espírito e peço Agô.
Que tuas guias sejam o farol que norteie minha vida.
Que vossa pemba trace o caminho certo para todos os meus actos.
Que vossas palavras, tão cheias de compreensão e bondade, iluminem minha mente e meu coração.
Que teu cajado me ampare em meus tropeços.
Ontem te curvastes aos senhores...
Hoje, ajoelho-me aos teus pés pedindo que intercedas junto a Oxalá por mim e por todos que neste momento clamam por vós.
Maleme e paz sobre meu lar e que a luz divina de Oxalá se estenda pelo mundo.
E que o grito de todos os orixás sejam o sinal de vitória sobre todas as demandas de minha vida.
Maleme as almas.
Maleme para todos os meus inimigos, para que saiam do negrume da vingança.
E encontrem fonte fecunda e clara do amor e caridade.


Que Oxalá nos abençoe sempre

PRETO-VELHO PAI JOSÉ


Olá irmãos


Que a paz de Oxalá esteja com todos


Hoje a nossa postagem fala de Pai José, Pai José vibrante na linha de Xangô e Oxalá, porém muitos trabalham com a linha de Ogum, usam guias e cores Preta,Branca, Vermelha e Amarela., gostam de chapéu de palha, bebem vinho e café, muitos gostam de usar um lenço xadrez no pescoço com essas cores. Fumam cigarro de palha, na incorporação arreiam o médium no chão, com pisar firme e joelhos levemente flexionados. Adora passes para e,pregos trabalham muito com galhos de arruda. Sua forma mais conhecida é Pai José de Aruanda, mas conhecesse: Pai José de Angola,  Pai José da Guiné,  Pai José das Almas,  Pai José de Congo,  Pai José Cambinda,  Pai José Nagô,  Pai José da Cachoeira entre outros Pai José.

Abaixo uma coversa com Pai José da Guiné

À noite, quando a maioria das pessoas estão dormindo, diversas falanges espirituais se desdobram em trabalhos socorristas de assistência à humanidade encarnada. Devido ao sono, a queda natural do metabolismo e das ondas cerebrais, o corpo espiritual desprende-se naturalmente do corpo físico.


Aproveitando-se desse fato natural e inerente a todo ser humano muitos amigos espirituais trabalham nessa hora da noite retirando essas pessoas do seu corpo físico, dando um toque sensato a elas diretamente em espírito, ou, simplesmente, trabalhando as energias do assistido com mais liberdade a partir do plano espiritual da vida.


Um dia desses, durante um trabalho de assistência, estava conversando com um Preto Velho, que responde nas lidas de Umbanda, pelo nome de pai José da Guiné. Segue o diálogo:


— Pai José, esse trabalho de assistência na madrugada é enorme, não? O médium umbandista muitas vezes nem imagina o tamanho dele, não é mesmo?


— É sim fio. trabalho grande, toda noite. Mas são poucos que lembram da espiritualidade dia-dia e mantém sintonia elevada antes de dormir. Isso acaba por barrar as possibilidades de trabalho em conjunto conosco, você sabe disso. A maioria dos médiuns por aí pensam que o único dia de trabalho espiritual é o dia de trabalho no terreiro. É uma pena.


— É verdade, as pessoas tendem a se preparar muito para o dia de trabalho no terreiro, mas esquecem dos outros dias.


_ Preparar? Muitas vezes eles nem se preparam fio. A maioria chega lá cheia de problemas e preocupações na cabeça. Dá um trabalhão danado acoplar na aura toda encardida de pensamentos e sentimentos estranhos deles. E nego num tá falando que preparação é tomar um banho de erva antes do trabalho, não…


— Ué, mas o banho de erva é importante, não é pai?


— É, claro que é. Mas num é tudo. Antes do banho de erva, seria melhor um banho de bom-humor, com folhas de tranqüilidade e flores de simplicidade, hehehe… Isso sim ajudaria. Num adianta colocar roupa branca, defumar, tomar banho, se o coração tá sujo, se a boca maldiz, se o rosto está sem alegria e o espírito apagado. Limpeza interna fio, antes de limpeza externa…


— Tá certo…


— Tá certo, mas você muitas vezes num faz isso né? Hehehe… Tudo bem, todo mundo tem lá seus dias ruins, o problema é quando isso se torna constante. Fio, aUmbanda é muito rica em rituais, em expressões exteriores de alegria e culto a divindade. Mas isso deve ser utilizado sempre como uma forma de exteriorizar o que de melhor trazemos dentro de nós. Não uma fuga do que carregamos aqui dentro. Volta seus olhos pra dentro e lá presta culto aos Orixás. Só depois disso, canta e dança…


— Quando estiver participando de um trabalho, esteja por inteiro, em corpo físico, coração e mente. Não faça das reuniões espirituais um encontro social. Antes de começar os trabalhos, medita, ora, entra em sintonia com o trabalho que já está acontecendo. Durante os cantos, busca a sintonia com os Orixás.
Nesse momento, você e Eles não estão separados pela ilusão da matéria. Tão juntos. Em espírito e verdade…


— Acompanha as batidas do atabaque e faz elas vibrarem em todo seu ser. Defuma seu corpo, mas defuma também sua alma, queimando naquela brasa seu ego, sua vaidade, seu individualismo, que lhe cega os sentidos.


— Trabalha, aprende, louva, cresce meu fio. Mas o mais importante: Leva isso pra fora do terreiro! Lá dentro, todo mundo é filho de pemba, todo mundo tá de branco, todo mundo ama os Orixás…


— Mas aqui fora, logo na primeira dificuldade, duvidam e esquecem dos ensinamentos lá recebidos. Aqui fora, num tem caridade, fraternidade, Orixá, espiritualidade. Mas a Lei de Umbanda não é pra ficar contida no terreiro. A Lei de Umbanda é pra estar presente em cada ato nosso. Em cada palavra, em cada expressão de nosso ser…


— Percebe fio? Você é médium o tempo todo, não só no dia de trabalho, mas todo dia. Você é médium até quando tá dormindo…hehehe
Pai José fez uma pausa e eu fiquei a pensar a respeito da responsabilidade do trabalho mediúnico. De quantos médiuns por aí nem tinham idéia do trabalhoespiritual que as muitas correntes de Umbanda desenvolvem. De como, a vivência de terreiro, demandava uma mudança interior, uma postura diferente em relação à vida. Enquanto pensava a respeito, pai José disse:


— É por aí mesmo fio. A partir do momento que a pessoa internaliza os valores espirituais, um novo mundo, cheio de novas perspectivas surge. Novas idéias, novos ideais. Uma forma diferente de encarar a vida. Esse é o resultado do trabalho. A caridade não é mais uma obrigação, mas torna-se natural e inerente ao próprio ser, assim como a respiração. A sintonia acontece esteja onde ele estiver, carregando consigo a Lei da Sagrada Umbanda em seu coração…


— Lembre-se: Aruanda não é um lugar! Aruanda é um estado de espírito… Você a carrega para onde for. Isso é trabalho. Isso é sacerdócio. Isso é viver buscando a espiritualização…


— Por isso, meu fio, faz de cada trabalho espiritual que você participar um passo em direção a esse caminho. Um passo em direção a unidade com o Orixá. Cada reunião, um passo… Sempre!
Notas do médium: Pai José de Guiné é um espírito que há muito tempo eu conheço, trabalhador incansável nas lidas da cura espiritual. Apresenta-se como um negro, com cerca de 50 anos, sempre com seu chapéu de palha a cobrir-lhe a cabeça e seu olhar firme e determinado. Tem um jeito muito direto e reto de falar as coisas sempre nos alertando a respeito de posturas incompatíveis com o trabalho espiritual. É um espírito muito bondoso com quem já aprendi muitas coisas.



Fica aí o toque dele, que muito me serviu, a respeito de levar o  Terreiro para o nosso dia-dia.

Fonte: Povo de Aruanda.

PAI JOAQUIM


Olá irmãos

Que a paz de Oxalá esteja com todos


Pois bem irmãos continuando as postagens ligados aos nossos queridos Vovôs e Vovós da Aruanda, uma pessoa do blog pediu que falasse sobre o Vô Joaquim. Pois podemos fazer desta nomenclatura a entidade "Pai Joaquim".

Pai Joaquim é bem conhecido na Umanda, muitos usam seus nomes compostos: Pai Joaquim de Angola, Pai Joaquim da Guiné, Pai Joaquim de Aruanda e tantas e tantas outras variantes. Falarmos de especificamente um é imposspivel então falaremos da falange desta entidade.

Pai Joaquim é o preto-velho que comanda todos os outros pais-velhos que traballham com o Orixá Oxossí, apesar de muitas variantes, todos os médiuns que trabalham com ele tem uma ligação interna com este Orixá. Este pai velho trabalha muito com curas por ervas, é muito "mateiro", sempre usando seu cachimbo é um grande alquimista e manipulador de ervas, assim como seu Orixá Regente. Gosta muito das cores tipicas como preto-branco, ás vezes usando o verde. Adora trabalhar com pés de ervas do lado, aruda e alecrim não faltam na mão deste velhinho.

Sua roupagem fluídica parece um senhor que viveu no mato, de calças arregaçadas, costumam não aparentar muita idade, mas sim a experiência que traz em seus olhos, a experiência de praticar a caridade e a cura acima de tudo.

Ponto Pai Joaquim

Pai Joaquim ê, ê
Pai Joaquim ê ah...
Pai Joaquim já vem de Angola,
Pai joaquim vem de Angola, Angolá...





Que Oxalá nos abençoe sempre


Saravá  .'.

PRETO-VELHO PAI CIPRIANO


Olá irmãos


Que a paz de Oxalá esteja com todos

Começamos o mês de Maio e para nós umbandista temos a homenagem mais querida a de nossos Queridos Vovôs e Vovós. No dia 13 de Maio é o dia consagrado aos Pretos-Velhos. Assim hoje falamos um pouco de Pai Cipriano esse preto-velho grande rezador mas pouco conhecido. Começamos por uma mensagem deste Vovô:

"A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.

Certa vez, em um centro do interior de Minas-Gerais, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas.

O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente:

"Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas, mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro.Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas, acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade".

Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos... Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados.

Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo, o respeito a si mesmo , a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação, podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina, fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas procurando suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.

Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece, e cresce, consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos.

Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero, enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida:

"Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS"


Pai Cipriano é um preto-velho vibrante na corrente de Oxalá, grande mandingueiro tem o Pai Jáco e Pai Miguel como seus companheiros espirituais, andam sempre juntos trabalhando em prol da humanidade usam as cores e as guias Pretas,Brancas e Amarelas. São essas cores que atuem em seus filhos: o Branco é a Paz, o Negro é ausência de sentimentos ruins e o amarelo é o raiar do sol iluminando os caminhos de seus filhos. Bebem Vinho tinto com café. Não gostam de Marafo. 
Usam bengalas pois suas roupagem espiritual é bem idosa, apesarem de preferir trabalhar de pé. com camisas brancas e adornados com cruzes de ferro no peito. Trabalham no desmanche de trabalhos pesados, principalmente de magias negras, grandes alquimistas da cura ministram seus passes revigorantes e transformadores. Adoram cruzes e figas de presente.
Quando vem em terra incorporam de forma rápida e contida, arcando o médium levemente para frente.
Sua forma mais conhecida é Pai Cipriano das Almas.

Que Oxalá nos abençoe sempre


Saravá .'.

VOVÓ CAMBINDA


Olá irmãos


Que Oxalá nos abençoe sempre


Bem começamos o mês de homenagem aos Pretos-Velhos, nossos queridos conselheiros. E como sempre falarei de algumas entidade quem quiser é só me mandar e-mail que postarei de outra.
Hoje falaremos de uma entidade bem conhecida, alguns dizem ser irmã da Vovó Maria Conga, outros dizem que não, mas o importante é entendermos como é e não que é.

Vovó Cambinda que é a homenageada, esta entidade conheço pessoalmente, são muito amorosas querendo sempre abraçar o mundo, muito companheiras trabalham com suas ervas, pitando seu cachimbo. O Povo de Cambinda é um povo irmãos do Congo, pois também trabalham na linha das águas com Iemanjá, porem sofrem grande influência de Ogum, são entidades amorosas, mas quando preciso energéticas, sempre falando pro bem do filho, mesmo que seja uma verdade dolorida.

As Vovós ficam alegres em terra, sempre felizes com o reconhecimento dos filhos, grandes tarefeiras de Zambi praticam sua caridade com muita fé e vontade, adoram crianças e trabalhos ligados a cura, uma curiosidade é que as Médiuns destas entidades tem ligação com a Cabocla Jurema.


Ponto de Vovó Cambinda

Vem Negra Cambinda, Quem te chama é Nagô
Negra da Costa da Mina é De Babalaô
Negra pula, Negra dança na batida do tambor
Negra toma seu marafô pra saudar seu protetor.
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Anaruê, Anaruá
Batida no Congo, É Cambinda que vou chamar
Anaruê, Anaruá
Batida no Congo, É Cambinda que vou chamar
Negra Cambinda é negra firme, negra de Fé vem Saravá
Negra Caminda é nossa luz, que na Umbanda vem trabalhar.



Que Oxalá nos abençoe sempre


Saravá  .'.

MÃE PRETA

O coração do inocente,É como a terra estrumada,
Qui a gente pranta a simente E a mesma nasce corada,
Lutrida e munto viçosa. Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança Vai batê na cova fria.
Quem pela infança passou,O meu dito considera,
Eu quero, com grande amô, Dizê Mãe Preta quem era.
- Mãe Preta dava a impressão Da noite de iscuridão,
com seus mistero profundo, Iscondendo seus praneta;
Foi ela a preta mais preta Das preta qui eu vi no mundo.
Mas porém, sua arma pura, Era branca como a orora,
E tinha a doce ternura Da Virge Nossa Senhora.
Quando amanhecia o dia, Pra minha rede ela ia
Dizendo palavra bela; Pra cuzinha me levava
E um cafezim eu tomava Sentado no colo dela.
Quando as minha brincadêra Causava contrariedade
A minha mãe verdadêra Com a sua otoridade,
As vez brigava comigo E num gesto de castigo,
Botava os óio pra mim, Mas porém, não me batia,
Somente pruque sabia Qui mãe preta achava ruim.
Por isso eu não tinha medo, Sempre contente vivia
Mexendo nos meus brinquedo E fazendo istripolia.
Dentro de nossa morada, Pra mim não fartava nada,
O meu mundo era Mãe Preta; Foi ela quem me ensinou
Muntas cantiga de amô, E brincá de carrapeta.
Se as vez eu brincando tava De barbuleta a pegá,
E impaciente ficava Inraivicido a chorá,
Ela com munta alegria, Um certo jeito fazia,
Com carinho e com amô, Apanhava as barbuleta;
Foi ela uma santa preta, Que o mundo de Deus criou.
Se chegava a noite iscura Com seus negrume sem fim,
Ela com toda ternura, Chegava perto de mim
Uma coisa cochichava E depois qui me bejava,
Me levava pra dromida Sobre os seus braços lustroso.
Aquilo sim, era gozo, Aquilo sim, era vida.
E despois de me deitá Na minha pequena rede,
Balançava devagá Pra não batê na parede,
Contando estes lindos verso Qui neste grande universo
Ôtros mais belo não vi, E enquanto ela balançava
E estes versinho cantava, Eu percurava dromi.
Dorme, dorme, meu menino, Já chegou a escuridão,
A treva da noite escura Está cheia de papão.
No teu sono terás beijos Da rosa e do bugari
E os espíritos benfazejos Te defendem do saci.
Dorme, dorme, meu menino, Já chegou a escuridão
A treva da noite escura Está cheia de papão.
Dorme teu sono inocente Com Jesus e com Maria,
Até chegar novamente O clarão do novo dia.
Iscutando com respeito Estes verso pequenino,
Eu sintia no meu peito Tudo quanto era divino;
Nem tuada sertaneja, Nem os bendito da igreja,
Nem os toque de retreta, In mim ficaro gravado,
Como estes versos cantado Por minha boa Mãe Preta.
Mas porém, eu bem menino, Qui nem sabia pecá,
Os ispinho do destino Começaro a me furá.
Mãe Preta qui era contente, Tava um dia deferente.
Preguntei o que ela tinha E assim que ela oiô pra eu
Dois pingo d'água desceu Dos óio da coitadinha.
Daquele dia pra cá, Minha amorosa Mãe Preta,
Não pôde mais me ajudá Nas pega de barbuleta,
Sem prazê, sem alegria Dentro de um quarto vivia,
O dia e a noite intêra, Sem achá consolação,
Inriba de seu coxão De foia de bananera.
Quando ela pra mim oiava, Como quem sente um desgosto,
A minha mão apertava E o pranto banhava o rosto.
Divido este sofrimento, Naquele seu aposento,
No quarto onde ela viva, Me proibiro de entrá,
Promode não magoá As dô que a pobre sintia.
Eu mesmo dizê não sei Qual foi a surpresa minha,
Quando um dia eu acordei, Bem cedo domenhãzinha
Entrei na sala e dei fé Qui um magote de muié
Tava rezando oração; E vi Mãe Preta vestida
Numa ropona comprida, Arva, da cô de argodão.
Sinti no peito um cansaço, Depois uns home chegaro
Levantaro ela nos braço E numa rede botaro.
A rede tava amarrada Numa peça perparada
De madêra bem polida, E naquela mesma hora,
Levaro de estrada afora Minha Mãe Preta querida.
Mamãe com todo carinho, Chorando um bêjo me deu
E me disse - meu fiinho, Sua Mãe Preta morreu!
E ôtras coisa me dizendo, Sinti meu corpo tremendo,
Me jurguei um pobre réu, Sem consolo e sem prazê,
Com vontade de morrê, Pra vê Mãe Preta no céu.
O coração do inocente, É como terra estrumada
Que a gente pranta a semente, E a mesma nasce corada
Lutrida e munto viçosa; Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança Vai batê na cova fria".

Autor: Patativa Do Assaré, 
ou ANTONIO GONÇALVES DA SILVA, 
direto do Ceará. Morreu em 2002 com 93 anos.