quinta-feira, 31 de maio de 2018

Pai Joaquim conversa com Vovó Nanã sobre as chuvas que estão caindo!


Ô Vovó Nanã, por que tá brava com nóis?

Porque castiga os fio do Rio e de Sun Paulo?

Sei que os menino, não tão cuidando do seu elemento, sei que eles estão jugando sujeira em sua casa, mas como disse nosso senhô, "Perdoa, eles não sabem o que fazem!", 

São crianças mau criadas, acham que é tudo deles!

Mas assim foi ensinado pra eles...

Ô Vovó para de jogar suas águas neles, os meninos já aprenderam a lição, já viram que a senhora tá chateada, num carece mais de cástiga. A lição já foi dada!

E eu sei melhó que ninguém, que os fio precisa de puxão de oreia, eles suja rio, suja mar, corta pranta, e enche os céus de pó preto. Só pra facilita as priguiças deles, mas, já tem fio aprendendo a respeita, já tem fio que tá tentando mudá isso, já tem fio que tá até limpando!!!... então, Vovó, dá um tempinho a mais pra eles... deixa eles trabaiá um poco mais na educação e na consciência de seus fio. 

Quem sabe logo logo nóis não muda este caminho de ruínas.  

Salubá Vovó Nanã Buruquê! 

Pai Joaquim de Aruanda

Canalizado por Mago Dam
Dia 12/01/2011

Salubá Nanã Buruquê! Salubá!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Zé do Cocô

Baiano Zé do Côco.

Ponto de baiano.
Baiano é um povo bom
Povo trabalhador
Baiano é um povo bom
Povo trabalhador
Quem mexe com baiano
Mexe com Nosso Senhor
Quem mexe com baiano
Mexe com Nosso Senhor    

Durante muitos anos a linha dos baianos foi renegada e os trabalhos feitos com ela eram vistos com restrições. Dizia-se que por não ser uma linha diretamente ligada às principais, era inexistente, formada por espíritos zombeteiros e mistificadores. Aos poucos eles foram chegando e tomando conta do espaço que lhes foi dado pelo astral e que souberam aproveitar de forma exemplar. Hoje se tornaram trabalhadores incansáveis e respeitados, tanto que é cada vez maior o número de baianos que está assumindo coroas em várias casas. A alegria que essa gira nos traz é contagiante. Os conselhos dados aos consulentes e médiuns demonstram uma firmeza de caráter e uma força digna de quem soube aproveitar as lições recebidas. Atualmente já temos o conhecimento de que fazem parte de uma sublinha e nessa designação podem vir utilizando qualquer faixa de trabalho energético, ou seja, podem receber vibrações de qualquer das sete principais. Têm ainda um trânsito muito bom pelos caminhos de exu, podendo trabalhar na esquerda a qualquer momento em que se torne necessário. Cientes dessa valiosa capacidade, nós dirigentes, sempre contamos com eles para um desmanche de demanda ou mesmo sérios trabalhos em que a magia negra esteja envolvida. Com eles conseguimos resultados surpreendentes. Os que não admitem essa linha como vertente umbandista defendem sua posição criticando o nome que esses espiritos escolheram para seu trabalho. Já ouvi coisas do tipo “Daqui a pouco teremos linhas de cariocas, sergipanos, etc.” Esquecem eles que a Bahia foi escolhida por ser o celeiro dos orixás. Quando se fala nesse estado, nossos pensamentos são imediatamente remetidos para uma terra de espiritualidade e magia. O povo baiano é sincrético e ecumênico ao extremo, nada mais natural que sejam escolhidos para essa homenagem de lei que é como se deve ver a questão. Vale ainda lembrar que nem todos os baianos que vêm à terra realmente o foram em suas vidas passadas, esses espiritos agruparam-se por afinidades fluídicas e dentre eles há múltiplas naturalidades. É evidente que no inicio a Umbanda era formada por legiões de caboclos, preto-velhos e crianças, mas a evolução natural acontecida nestes anos todos fez com que novas formas de trabalho e apresentação fossem criadas. Se a terra passa por constantes mutações porque esperar que o astral seja imutável? O que menos interessa em nosso momento religioso são essas picuinhas criadas por quem na verdade, não defende a Umbanda, quer apenas criar pontos polêmicos desmerecendo aqueles que praticam a religião como se deve, dentro dos terreiros, onde abraçamos a todos os amigos espirituais da forma como se apresentam.
Luiz Carlos Pereira

Boiadeiros na Umbanda - Origens, oferendas.

São espíritos que incorporam como caboclos, mestiços e vaqueiros. Grandes mestres juremeiros, muitos com conhecimento de magia da nação Banto, Congo e Angola, talvez alguns Tata J'inkinsi desencarnados. No candomblé de caboclo tive a oportunidade de participar de festas de caboclos onde se canta a jurema, e podemos curiar da bebida sagrada.

Este culto assim como o dos caboclos e o culto à malandragem na Umbanda, possui semelhanças com o catimbó e a jurema. Os boiadeiros vêm brincar, cantar, rir, dançar, curar e aconselhar os fiéis, diferente da incorporação em boa parte das Umbandas antigas onde esta entidade se apresenta séria e de poucas palavras.
A maior parte dos boiadeiros gostam de cigarros de palha, cigarros sem filtro e charuto. A bebida que a maioria de nós conhece é a meladinha (cachaça com mel ou melado de cana), já estive em casas que ofereciam leite, vinho, caldo de cana e etc.
As oferendas aos caboclos boiadeiros podem ser :
  • Frutas
  • Rapaduras e amendoim torrado.
  • Abóbora cozida com farofa de torresmos.
  • Aipim cozido com carne seca desfiada por cima.
  • feijão branco com linguiça, bacon, toucinho.
  • Uma farofa de carne seca com alho, cebola, linguiça, feijão de corda.
  • Carne de boi com feijão tropeiro, feijão de corda ou feijão cavalo.
  • Feijão de corda refogado no dendê com cebola e alho.
  • Cozido de abóbora com linguiça, bacon, toucinho, maxixe, carne seca...
  • Pé-de-moleque, pedaços de cana e rapaduras.
  • Churrasco.
Oferenda:
Toalha ou um pano (branco, vermelho, amarelo, azul escuro, marrom)
Velas (branca, vermelha, amarela, azul escuro, marrom)
Fitas (branca, vermelha, amarela, azul escuro, marrom)
Linhas (branca, vermelha, amarela, azul escuro, marrom)
Pembas (branca, vermelha, amarela, azul escuro, marrom)
Frutas (todas)
Bebidas (vinho seco, aguardente, batidas, conhaque, licores)
Flores (do campo, palmas, cravos)
Comidas (feijoada, charque bem cozido, bolos)

Oferenda ao Caboclo Boiadeiro

Material
1 pedaço de carne assada na brasa
Farofa de milho amarela (farinha misturada com um pouco de azeite e carne desfiada, temperada com sal e cheiro verde picado)
Vinho licoroso doce
1 prato de alumínio
7 moedas douradas ( lavadas e secas )
1 caneca esmaltada
7 velas amarelas

Modo de preparo:
Coloque a farofa no prato com a carne assada por cima. Encha a caneca de vinho colocando ao lado. Acenda as velas ao redor, passe as moedas simbolicamente pelo corpo de baixo para cima fazendo seus pedidos aos caboclos boiadeiros e coloque ao redor do prato. Saude o caboclo boiadeiro 7 vezes. Faça seus pedidos e orações.



Oferenda para os boiadeiros

Material:
7 frutas doces (lavadas e secas)
7 cocadas
7 pés de moleque
7 pedaços de bolo de fubá
7 cigarros de palha
7 velas amarelas
1 pão de milho
7 folhas de louro
7 espigas de trigo secas
1 copo de barro
Vinho licoroso doce
1 alguidar

Modo de preparo:
Coloque as frutas, as cocadas, os pés de moleque, o bolo, o pão no alguidar. Enfeite com as folhas de louro e as espigas de trigo secas. Passe o alguidar simbolicamente de baixo para cima fazendo seus pedidos aos caboclos boiadeiros. Acenda as velas e coloque o copo com vinho ao lado. Saude os caboclos boiadeiros 7 vezes. Faça seus pedidos e orações.


Oferenda aos boiadeiros

Material:
1 prato de barro grande
7 cocadas pretas
7 pedaços de rapadura
7 pedaços de cana de açúcar sem casca
7 cigarros de palha
Fumo de rolo desfiado
1 copo de barro
Vinho tinto doce
7 pés de moleque
1 pedaço de goiabada
1 maça
1 pêra
1 laranja lima
1 cacho de uvas
1 pão
1 vela verde
1 vela branca
1 vela amarela
1 laço de boiadeiro

Modo de preparo:
Coloque todas as comidas no prato, passe o prato simbolicamente pelo corpo de baixo para cima, fazendo seus pedidos ao caboclo boiadeiro, coloque o prato no chão. Encha o copo com vinho e acenda as velas em volta. Saude o caboclo boiadeiro 7 vezes fazendo seus pedidos e orações.


Obs.: as oferendas aos boiadeiros devem ser feitos próximo a fazendas, porteiras, campos e pastos onde haja gado. Não podendo ser feito nesses locais, pode se feito em matas abertas ou beira de rio.

Alguns nomes mais conhecidos são:

Boiadeiro Navizala
Boiadeiro da Jurema
Boiadeiro Menino
Boiadeiro do Sertão
Boiadeiro da campina
Boiadeiro do lajedo
Boiadeiro da senzala
Boiadeiro sete laços
Boiadeiro Riachão
Boiadeiro João Mineiro
Boiadeiro laçador
Boiadeiro Zé Mineiro
Boiadeiro Chapéu de couro
Boiadeiro Chapéu de palha
Boiadeiro do Ingá
Boiadeiro do rio
Boiadeiro da estrada
Boiadeiro das sete encruzilhadas
Boiadeira Jussara
Boiadeira Zeferina
Boiadeiro Capineiro
Boiadeiro Chapadão
Boiadeiro da serra
Boiadeiro Venâncio
Boiadeiro das almas

Elementos que podem ser usados para o assentamento ou imantação do seu caboclo boiadeiro:

Cabaça, alguidar, vaso de planta, panela de ferro ou panela de barro.
Ervas: tabaco,cana-de-açúcar e café.
Erva da jurema
Uma Ferradura usada
Otá
Estrela de cinco pontas (Símbolo da vitalidade, e da Umbanda)
Um imã de ferradura
Rabo de cavalo
Chifres de boi
Tira de couro (ou guia de couro)
Laço ou corda de cisal
Dois olhos de boi
Sete metais (Ouro, prata, cobre, estanho chumbo, ferro, latão)
O ponto riscado em ferro, madeira, ou riscado em pemba para soprar por cima do assentamento.
Moedas
Fava divina
Vinho
Caldo de cana
Orobô (pacto com ancestrais)

CARNE SECA COM INHAME PARA BAIANOS

Esta é uma oferenda que agrada bem aos baianos que trabalham com a linha de Ogum.
Você vai precisar de:
  • 3 inhames
  • 1/2 kg de carne seca
  • 1 cebola grande
  • 7 pimentas dedo de moça
  • Azeite de dendê
  • 1 alguidar de barro
Preparo:
Dessalgue a carne seca com antecedência deixando de molho em água por um dia, trocando a água de vez em quando.
Cozinhe a carne seca separadamente até que fique bem macia, depois desfie.
Cozinhe o inhame até que fique bem macio também, retire a casca, amasse bem até conseguir uma massa uniforme.
Com bastante dendê refogue a cebola (picada), a pimenta (cortada em rodelas) e a carne já desfiada, depois vá acrescentando o inhame sempre misturando bem (com colher de pau).  Você pode escolher entre as 7 pimentas, quantas usar no refogado e quantas deixar para enfeitar.
Esta oferenda vai em alguidar.

PINGA NO COCO PARA BAIANOS

Você vai precisar de:
  • 1 coco verde
  • Cachaça
Preparo:
Abra o coco, retire um pouco da água (se você quiser pode beber essa água retirada) e complete com a cachaça

BOLO DE FUBÁ PARA PRETO VELHO

Você vai precisar de:
  • 1 xícara (de chá) de fubá
  • 1 xícara (de chá) de farinha de trigo
  • 1 xícara (de chá) de açúcar
  • 1 xícara (de chá) de leite
  • 4 colheres (de sopa) de banha ou manteiga
  • 1 ½ colher (de sopa) de pó Royal
  • ½ colher (de chá) de sal
  • 1 colher (de sopa) de erva-doce
  • 2 ovos
  • 1 prato de barro
  • Café já coado e sem açúcar
  • 1 caneca de ágata
Modo de Preparo:
Em um recipiente separado, misture o fubá, o açúcar, a farinha de trigo, a erva-doce e o sal.
Em outro recipiente, misture os ovos ligeiramente batidos, o leite e a gordura derretida.
Acrescente, aos poucos, os ingredientes líquidos aos secos, misturando bem até obter uma massa homogênea.
Despeje em uma forma redonda untada com banha ou manteiga.
Asse em forno quente por 40 minutos.
Desenforme depois de frio e coloque no prato de barro.

ARROZ DOCE PARA PRETO VELHO

Você vai precisar de:
  • 2 xícaras (de chá) de arroz
  • 1 litro de leite
  • 2 xícaras (de chá) de açúcar
  • 1 quartinha de barro (pode ser uma caneca de ágata)
  • 1 garrafa de vinho tinto seco
  • 1 prato de ágata
Modo de Preparo:
Cozinhe o arroz (já lavado) em 1 litro de leite com o açúcar por aproximadamente uma hora, mexendo de vez em quando até o leite estar quase seco e grosso.
Coloque no prato e espere esfriar.

LINGUIÇA CALABRESA PARA ZÉ PELINTRA

Você vai precisar de:
  • Linguiça calabresa
  • Cebola
  • Pimenta dedo de moça
  • Azeite de dendê
  • Farinha de mandioca grossa e crua
  • 1 prato de barro
Preparo:
Refogue a cebola (em rodelas) e a pimenta (cortada em rodelas) no dendê, depois acrescente a linguiça (fatiada) e frite bem.
Coloque a farinha de mandioca no prato e vá acrescentando dendê até formar uma farofa homogênea, depois coloque a linguiça por cima.

sábado, 26 de maio de 2018

FIRMEZA DE PRETO VELHO NO CEMITÉRIO.

Muitos médiuns e dirigentes de Umbanda acreditam que basta incorporar seus guias para que eles comecem a trabalhar no atendimento às pessoas que vão aos centros em busca de auxilio.
Mas isto não é verdade e antes de um medium começar a dar atendimento ele deve firmar seus guias nos seus campos de atuação, sob a irradiação dos orixás que os regem e sustentam seus trabalhos.
Mesmo que um medium já esteja incorporando muito bem seus guias, ainda assim é preciso que ele firme todos os seus guias antes de começar a dar passes e consultas, e em hipótese alguma deve deixar para depois estes procedimento básicos e indispensáveis a um bom trabalho de atendimento às pessoas necessitadas.
Sim! Sem estar com todas as suas forças espirituais muito bem identificadas e firmadas em seus campos vibratórios, de já terem seus colares ou guias de trabalho cruzadas e consagradas, de já terem riscado seus pontos de firmeza, não se deve permitir a um medium novo que dê atendimento às pessoas dentro de um centro.
E isto, por duas razões:
1ª- Só com as forças devidamente firmadas elas poderão fazer um bom trabalho para os necessitados, por que contarão com a cobertura dos orixás que regem o campo em que atuam.
2ª- Só com suas forças espirituais bem firmadas um medium pode mexer com certas forças que entram com as pessoas que precisam ser ajudadas.
Se dou esse alerta é porque já estou cansado de ver medium ficar 1, 2, 3 anos frequentando os centros, girando e ajudando os trabalhos sem que tenham ido à natureza firmar corretamente as suas forças espirituais, que querem trabalhar, mas não podem mexer com coisas pesadas porque seus mediuns não têm o preparo necessário.
Durante o desenvolvimento, sem pressa e só após o guia se identificar, é dever, é obrigação de o medium firma-lo em seu campo vibratório na natureza, e fazer bem feita essa firmeza, dando ao guia os recursos necessários para que ele tenha meios de ajudar as pessoas necessitadas.
Mas não adianta ‘só ir à natureza e dar uma oferenda ao guia que tudo estará resolvido.
Não mesmo!
É preciso que a firmeza seja feita dentro de certos procedimentos para que tenha validade.
Procedimentos para firmar a força de um Preto Velho (a) no Campo Santo:
1º - Adquirir todos os elementos necessários: --(comidas e bebidas de preto velho), velas e flores de crisântemos brancos.
Comidas: bolo de fubá, arroz doce, canjica, pipocas estouradas e sem sal.
Bebidas: Café, agua, vinho licoroso branco, agua de côco, Sempre em acordo com o que ele pedir ou intuir ao seu medium.
Velas: - 7 velas brancas para o circulo da oferenda.
Mais uma vela branca para o Pai Obaluaiê, 1 vermelha para o Pai Ogum Megê, 1 amarela para a Mãe Iansã que deverão ser acesas em triangulo, (antes de se fazer a oferenda ao Preto Velho), na frente do cruzeiro das almas, e dentro dele o medium deve colocar uma vela branca para si e pedir a benção e a proteção destes orixás.
2º - Após firmar os orixás em triangulo o medium os saúda, pede-lhes a benção e a proteção. Depois pede licença para firmar seu Preto Velho no Campo Santo.
3º - Depois recua 7 passos largos para traz dando o primeiro com o pé direito e, no sétimo. Ajoelha, cruza o solo com a mão direita, saúda seu Preto Velho ou sua Preta Velha, e lhe pede licença para firmar ali, diante do Cruzeiro das Almas, a sua força.
4º - A seguir pega os elementos e começa a fazer a firmeza: - acende as velas brancas em circulo, coloca um pedaço de pana branco sobre o solo e deposita em cima dele um alguidar ou um prato de papelão com as pipocas, cruza-as com o mel; a seguir coloca os ramos de crisântemos brancos entre as velas, e com as flores viradas para o lado de fora do circulo de velas; a seguir coloca as comidas e as bebidas ao redor do alguidar, com cada um dos elementos acondicionado dentro de um recipiente adequado e biodegradável. (Os vasilhames usados para leva-los devem ser recolhidos pelo medium).
5º – Após fazer a firmeza o medium deve cantar pontos ao seu Preto Velho (a) ou fazer uma oração, pedindo lhe que firme suas forças no Campo Santo, para que possa, já firmado, incorporar no Centro e fazer a caridade espiritual ajudando os necessitados.
6º - Caso o Preto Velho incorpore, o cambone ou a pessoas que esta acompanhando deve atendê-lo, conversar com ele e servi-lo com o que ele pedir.
7º - Depois, o médium dever pedir a benção e o axé dele, dar 7 passos para traz e se retirar.
Obs.: O médium deve pedir licença na porteira para entrar e para sair do Campo Santo e sua firmeza deve ser feita com respeito, reverencia e muito amor no coração, pais é um ritual sagrado de Umbanda essa firmeza de forças e, assim como ele é necessário, ele também trará inúmeros benefícios para o médium que o fizer.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

VOVÓ JOAQUINA E SUA HISTÓRIA.

Vovó Joaquina e Sua História.


    "Saravá Vovó Joaquina,
Saravá o seu Gongá,
ela vem de Aruanda,
ela vem pra trabalhar.

    Com suas mirongas,
com seu Patuá,
Saravá Vovó Joaquina,
na fé de Oxalá."


    Vovó Joaquina é uma Preta Velha que trabalha na Umbanda fazendo
sua caridade, auxiliando a quem necessita, ensinando caminhos,,
mostrando aos filhos de fé que não basta dizer ser caridoso, tem que
realmente ser.

    Ela foi uma negra escravizada, que veio trazida de sua terra natal
juntamente com seus pais pelos traficantes de escravos em navios
negreiros pelos meados do século XVIII, quando tinha apenas entre 4 e
5 anos de idade na vida terrena.

    Ela foi levada juntamente com os pais a uma fazenda de
cafeicultores em alguma localidade na região Sudeste do Brasil, e lá
viveu até seu desencarne.

    Quando ainda criança, Joaquina era uma menina atenta a tudo e a
todos, gostava de aprender tudo que poderia com seus irmãos negros, e
essa vontade de aprender lhe deu grandes ensinamentos, tais como
algumas magias vindas por ensinamento de alguns negros mais velhos, o
dom de reconhecimento e uso das ervas, o poder de rezas e benzimentos,
o poder de encaminhar espíritos perdidos e obsessores, a magia de
leitura de destinos em borras de água misturada com mel e fumo, rezas
e benzeduras em partos dificultosos, entre tantos outros dons.

    Ela aos 12 anos teve a sua primeira gravidez, pois era uma menina
sadia, forte e que foi determinada pelo seu senhor escravocrata que
deveria ser genitora de muitos filhos para que assim seu número de
escravos aumentassem a cada ano.

    E nessa gravidez precoce nascera os primeiros negros gêmeos da
região, que seria algo de motivo de visitações intensas de coronéis a
senzala na qual vivia  então a negra Joaquina.

    Para ela aquilo tudo era muito novo, não entendia muito bem toda
aquelas pessoas que vinham na intenção já de compra de seus filhos e
dela própria, pois eram épocas que quem reinava mais, que tinha mais
poder era os escravocratas que tinham mais negros, mais terras para
plantação e mais negras reproduzindo, portanto dois recém-nascidos
gêmeos e meninos, era um feito e uma ótima oportunidade de no futuro
serem reprodutores com possibilidades de gerarem outros gêmeos.

    Além disso, a própria Joaquina era alvo dos olhares de ganância
desses escravocratas, uma pequena negra com possibilidade de gerar
duas vidas de uma vez só em seu ventre era algo muito lucrativo para
os coronéis sedentos de poder.

    Mas com a rejeição de venda, tanto dos gêmeos quanto da menina
Joaquina pelo seu senhor, ela ficou na senzala com seus filhos, sendo
já preparada para ser reprodutora de escravos para a fazenda.

    E assim foi feito, cada ano ela tinha um filho, não mais gerando
gêmeos, levando a baixar as expectativas do coronel.

    E isso foi até ela completar seus 20 anos, quando teve uma grande
tristeza. O coronel cafeicultor, sem que ela menos esperasse, vendeu
a um negociador de escravos, quatro de seus oito filhos, que foram
levados amarrados e chicoteados pelo feitor desse negociador.

    Ela chorava em desespero, ao ver suas crianças serem arrastadas
sem destino pelas mãos do feitor, e entre eles estavam os seus gêmeos,
que na época tinham apenas 8 anos de idade.

    Ela joga-se ao chão clamando ao coronel que não vendesse seus
filhos, que os deixassem na fazenda, que eles pudessem crescer junto a
ela, mas sem sucesso.

    Na saída da porteira da fazenda o pior acontece, um dos gêmeos se
solta das amarras do famigerado feitor e corre sem rumo tentando fugir
daquela situação.

    O feitor sem piedade aponta sua velha arma de fogo contra o menino
indefeso e atira, que cai já sem vida sobre o chão empoeirado da
entrada da fazenda.

    Seu irmão, chorando e dominado pelo ódio, corre mesmo atado pelas
cordas e correntes para atacar o feitor assassino, que sem pensar age
da mesma forma cruel, atirando no outro menino, vendo-o cair sem
chances de defesa.

    O menino gêmeo, com os olhos cheio de lágrimas, observa o corpo
inerte de seu irmão, e mesmo dando seus últimos suspiros grita pela
sua mãe, que desesperada se arrasta na terra seca, tentando chegar
até seus gêmeos, que pela crueldade de um feitor desumano, a faz perder
de uma só vez dois filhos para a fria e sombria morte.

    Joaquina foi tirada dali de uma forma brutal, sem piedade e sem
remorso pelo feitor assassino. Ao ser levada para a senzala, ela
desesperada pela morte de seus gêmeos e pela dor de saber que mais 3
dos seus filhos seriam levados para o comércio de escravos, ela
desmaia aos pés de seus irmãos negros, que com lágrima nos olhos não
sabiam o que fazer e nem como acalentar a imensa perda de nossa
fragilizada negra Joaquina.

    As horas passaram e ela acorda de seu desmaio, com a cabeça
confusa achando que tudo passara de um terrível pesadelo, mas ao
relembrar de tudo, chora desesperadamente, e corre até as grades da
porta da senzala implorando pelos seus filhos.

    Nesse momento as portas se abrem, e é jogado a seus pés dois
corpos inertes, os corpos inertes de seus filhos amados.

    Olhando para o céu, Joaquina com os olhos lacrimejados, toma uma
decisão e faz uma promessa: Nunca mais em quanto viver, iria gerar um
filho para ser escravizado."

    E assim ela, com os ensinamentos adquiridos e o poder das ervas
fez com que seu ventre não gerasse mais filhos.

    Ela viveu nessa fazenda por mais de uma centena de anos, e em todo
esse período se tornou guardiã de todas as crianças negras, na qual
protegia desde a saída do ventre das mães até a maior idade.

    Ela se tornou uma respeitada negra por entre seus irmãos de cor e
por todos daquela região. Era conhecida como a melhor parteira que
existiu por todas as fazendas, tinha o respeito de coronéis e de suas
famílias pelas lendas de "feitiçaria" que ela saberia fazer. Isso se
espalhou por toda a região, levando a muitas pessoas temerem a agora
velha Joaquina.

    Foi responsável por ensinar benzeduras e magias africanas a vários
negros da fazenda e da região, entre esses negros o alegre Benedito,
que ela o tinha como filho, após a morte de seus pais, e o sisudo
Antero, que era seu afilhado e confidente.

    A velha Joaquina após pegar o respeito e a admiração da família do
coronel cafeicultor, saiu da roça e da senzala para trabalhar e viver
na casa grande, sendo ela a responsável por fazer o parto da sinhá,
esposa do coronel, e também a responsável por salvar a vida da própria
sinhá e sua pequena filha nesse parto, após a sinhá ter tido problemas
gravíssimos nessa gestação.

    Com o passar do tempo a velha Joaquina, que nesse período, também
já era conhecida por "Vó Chica", nome dado por seu filho de coração o
negro Benedito, já quase nada fazia, pois o peso da idade não mais a
permitia, ficava perambulando pela fazenda fazendo suas benzeduras, e
com isso cada dia mais era conhecida como a velha feiticeira.

    Seu desencarne foi dado numa tarde de primavera, onde ela chama
sua última filha de sangue, a negra Antônia, conhecida por todos da
fazenda como "Tonha", seu filho de coração o negro Benedito, seu
afilhado Antero e a sinhazinha, filha do coronel, para andarem por
entre as flores de um grandioso jardim da fazenda.

    Ao chegar nesse jardim, ela mansamente senta-se ao chão, e ao
redor dela os negros e a sinhazinha. E com um sorriso tímido ela olha
para os 4 personagens, pegando a seu lado um galho de arruda e outro
de guiné, fazendo o sinal da cruz a cada um.

    Ela já com bastante dificuldade diz:

    "Que a luz de meu Pai Oxalá ilumine a vida e o caminhar de vocês.

Desejo aqui dividir com vocês todo meu amor, minha fé, minha
esperança.

A minha querida filha Tonha, que aqui representa todos meus filhos de
sangue, peço que tenha sempre muita fé no Pai Maior.

A meu filho de coração Benedito, e meu afilhado Antero, que aqui
representam a cumplicidade e o amor de meus filhos gêmeos, peço que
espalhem a caridade pela eternidade.

E a sinhazinha, que aqui representa a esperança de nosso povo não mais
sofrer, não mais chorar, não mais perder seus filhos amados, não mais
morrer nos troncos das fazendas, peço que olhe pela nossa gente, pelos
negros que são açoitados, castigados e mortos pelos seus senhores.

    Eu imploro a Zambi que ele possa ouvir a voz dessa velha negra
castigada pelo destino de ter vivido como escrava, que foi retirada de
sua terra natal, que foi açoitada como animal, que viu seus filhos
serem arrebatados de seu convívio e assassinados sem a menor piedade,
pedir humildemente que o Pai Maior possa levar esperanças a todos que
sofrem as amarguras e dores de ser escravizados, e que sua luz ilumine
a esperança daqueles que aguentarem chegar o dia de vossa libertação."


    E assim ela abre os braços a cada um deles, num abraço carinhoso
de mãe, uma mãe protetora, cuidadora, devota, guerreira.

    Tonha é a primeira a ser abraçada, após ela abraça a Antero, seu
afilhado amado, em sequencia um abraço quase sem forças a sinhazinha,
que chora copiosamente.

    Em seguida ela olha profundamente aos olhos de Benedito, sorri.
Recorda-se de tantos momentos agradáveis junto a seu "moleque", tantas
alegrias, tantos ensinamentos. Ela abre seus braços, Benedito a abraça
fortemente, ambos choram em demasia.

    O abraço dela vai ficando menos apertado, seus olhos cerram, seu
sorriso se vai. E assim desencarna a velha Joaquina, a senhora
Feiticeira, a vó Chica, partindo de sua vida terrena, deixando seu
corpo inerte nos braços de seu filho de coração, que sem entender o
acontecido por alguns instantes, ainda a abraça firmemente junto a
lindas rosas e margaridas, flores preferidas de Joaquina, do jardim da
fazenda.

    Vovó Joaquina desencarnou no século XIX com idade incerta, mas
sabendo-se que com mais de 100 anos, sem ver seu povo libertado, sem
saber porque seus filhos tiveram que sofrer tanto, sem entender o
porque que a diferença de raça e cor fazia alguém melhor ou pior do
que o outro.

    Hoje Vovó Joaquina trabalha nos terreiros de Umbanda, trazendo
suas magias, seus dons, suas benzeduras, distribuindo sua caridade com
todas as pessoas que buscam sua ajuda espiritual, sendo essas pessoas
brancas, negras, de qualquer etnia, de qualquer crença, de qualquer
classe social.

    Ela distribui o seu amor, assim como distribuiu com centenas de
crianças que trouxe a vida sendo parteira, distribui seus ensinamentos
espirituais como distribuiu com todos seus irmãos negros e distribui
sua piedade a todos os consulentes que a procuram, assim como
distribuiu a piedade com o feitor que assassinou seus gêmeos sem a
mesma piedade que ela nos concede hoje.

Uma Benção De Vovó Joaquina: "Que Oxalá Esteja Sempre Com Você, Mas
Que Acima De Tudo Você Esteja Sempre Com Oxalá."

Frase De Vó Joaquina: "Quem Possui O Coração Cheio De Amor, Nada
Teme!"

    Adorei as Almas!

    Saravá a Linda Vovó Joaquina das Almas!

    Agradeço a oportunidade de poder participar das Giras com essa
Preta Velha divina em nosso terreiro, que é incorporada pela nossa
querida Priscila de Omulú.

Carlos de Ogum.