quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

ENSINAMENTOS DE VOVÓ MARIA CONGA

 PERGUNTA: E o que tem a dizer sobre alguns adeptos umbandistas que negam abertamente a relação de culto com os ritos africanistas, afirmando a origem "cabocla" dessa religião em solo pátrio e que não teria nenhuma ligação com os negros da África?

VOVÓ MARIA CONGA: Que esses filhos são movidos por preconceito e consideram os cultos africanistas inferiores. Realmente há uma predominância de caboclos nas manifestações mediúnicas e nos prepostos dos Orixás. Mas o ser negro ou vermelho tem relação somente com uma existência na carne. Todos estamos constantemente evoluindo e já passamos muitas vezes no vaso da matéria. Não discutiremos profundamente as nuanças da magia etéreo-física envolvida em cada culto ou raça que já pisou na Terra. Preocupemo-nos com questões maiores e constituídas de amor fraterno e solidário para o exercício da verdadeira caridade. Como diz o bugre rude do interior, "cavalo ganho não se olha os dentes, não se pergunta a idade nem o tipo de pêlo, pois nos apraz é a serventia do préstimo que o bichano vai dar". Tratemos a Umbanda como um cavalo ganho pelo grande senhor das almas, nosso Pai Oxalá.
Do livro ELUCIDAÇÕES DE UMBANDA
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PAI VELHO RESPONDE:

 Se a mediunidade, em suas especificidades na Umbanda, é um processo natural, qual o motivo da percussão de atabaques, das danças rituais e da entoação de cânticos?

Meus filhos, contemplem as rosas no jardim, como crescem. Quem pode, com todos os cuidados, prolongar o ciclo de vida de uma flor sequer? Todavia, se não as regar, elas secarão, morrendo antes do tempo. Existe uma profunda afinidade entre a natureza, as coisas do Espírito e a mediunidade.
Os elementos de rito citados, quais sejam, a percussão de atabaques, as danças rituais e a entoação de cânticos, são regalos para o Espírito do medianeiro que o ajudam em sua floração espiritual. Podem ser considerados cuidados supérfluos pelos mais mentalistas, mas os seus ritmos e movimentos estão em harmonia com Deus. As danças rituais criam as condições ideais para essa catarse energética, havendo uma enorme interpenetração das vibrações dos Orixás, rebaixadas pelos toques dos atabaques. Nesses momentos, o campo eletromagnético do perispírito do médium fica aumentado em sua frequência vibratória, facilitando a sintonia com o padrão de ondas mentais dos guias do “lado de cá”. Mantém-se por tempo adequado essa união de forças dos dois planos vibratórios com a entoação dos pontos cantados, ativando-se o emocional e acalmando o mental consciente do médium, que é “ocupado” pela mente dos Espíritos mentores. A utilização desses elementos de rito não altera a estrutura da mediunidade, assim como a roseira que não é regada continua a ser a mesma, embora com rosas murchas e despetaladas.
- do livro CONVERSANDO COM PAI VELHO
Pai Tomé - Ramatís