RELATO EMOCIONANTE DE UMA MÃE E SEU AMOR PELA UMBANDA!
Ela tinha tudo para desistir, mas a Umbanda a acolheu! Valentina tem dois anos, nasceu portadora de microcefalia e paralisia cerebral; um anjo em forma de gente. Mesmo com todas as suas limitações, aprendo com ela mais do que ensino. Foi através dela que eu conheci pessoas maravilhosas, que hoje são meus irmãos de fé.Valentina com um aninho foi diagnosticada também com a Síndrome de West, que provoca convulsões de difícil controle. Ela tomava três anti-convulsivos, que eram como água. Passou por muitas trocas de medicamentos e nada melhorava, parecia que só piorava. Com muitas convulsões diárias, minha guerreira estava desaprendendo tudo que havia aprendido até então, até mesmo a respirar.Os médicos disseram que iriam fazer uma cirurgia de traqueostomia, para poder respirar. Eu entrei em desespero. Já não acreditava em mais nada, minha fé estava acabando, eu já me via sem forças para tudo o que estava acontecendo, mas foi nesse momento que, através da minha guerreira, conheci um amigo que sempre estava nos ajudando, porém nunca havíamos conversado sobre religião.Ele sempre vinha nos visitar e ajudar com seu pai, até que um dia eu perguntei a ele qual era sua religião, e ele me respondeu que era umbandista e que toda a ajuda que levava era fruto das doações dos médiuns e consulentes do Centro. Eu tinha uma visão nada legal sobre a Umbanda, mas a cada visita que ele nos fazia, nos deixava muita Paz.Eu nada entendia sobre essa religião, mas um belo dia senti no meu coração vontade de perguntar a ele quando teria gira, pois eu queria fazer uma visita para conhecer e agradecer a todos pelo carinho, mesmo de longe, com a minha Valentina. Ele me respondeu que a próxima gira seria de Preto Velho, fiquei ansiosa para chegar o dia.No dia da gira, tudo deu errado para que eu não conseguisse ir, mas uma força maior trabalhando ao nosso favor, nos ajudou para que conseguíssemos chegar. Nessa época, Valentina passava muito mal, as convulsões não paravam, e eu como mãe sofria muito por vê-la com todos aqueles problemas, sem poder fazer nada. Mal eu sabia que estava no caminho certo. Nessa primeira visita, passamos pela primeira consulta com a Vovó Maria da Bahia, Preta Velha de uma das Zeladoras da Casa; Mãe Tereza, que me lembro como se fosse hoje. Eu tremia, meu coração estava acelerado, com medo, super nervosa. Chorei muito com a Vovó e ganhei um abraço acolhedor e cheio de amor, escutei palavras que amenizaram a minha dor e me deixaram mais calma.A Vovó pegou a minha Valentina no colo, deu um passe, rezou e disse que sempre que precisássemos dela, era só chama-la, e que mesmo que nós não víssemos, ela estaria lá para nos ajudar. Disse que a partir daquele dia estaria sempre ao nosso lado. Saí muito bem e confiante, depois da consulta e apaixonada por aquele lugar e pela Umbanda.Depois do primeiro passe com a que hoje chamo, carinhosamente de nossa vovozinha, tudo mudou. Valentina no outro dia já estava muito melhor e milagrosamente estava muito mais calma, tendo apenas uma pequena convulsão.Aprendi naquele dia que nada é por acaso; que todas as dificuldades que estávamos passando aconteceram para chegarmos aonde estamos hoje. Valentina hoje praticamente não tem mais convulsões, das emergências dos hospitais que não saíamos, hoje graças a Deus, a nossa Vovozinha e a nossa Umbanda, quase desconhecemos, ela hoje brinca, corresponde aos nossos estímulos, nossas brincadeiras e vive sorrindo. Percebi que tudo aquilo que eu pensava sobre a Umbanda e tudo o que as pessoas falavam, não era verdade.Eu fui, eu vi, eu conheci e o mais importante, eu senti Deus ali, naquele lugar, agindo na minha vida e na vida da minha família. Hoje nós somos muito felizes, com muita esperança de que ainda mais vitórias na vida da nossa Valentina está por vir. Hoje, com muito orgulho, nós fazemos parte do Centro Umbandista Abaçá de Obaluaê, e a Umbanda é o nosso caminho para chegar a Deus
Diálogo com Pai Joaquim de Angola !!!!
Certa Vez em terra sentando em meu toco se aproximou um filho de fé se ajoelhou me olhou e disse : Ah meu velho eu sou sair da Umbanda nada funciona eu me dedico ao máximo me entrego e não vejo nada mudar estou de saco cheio estou cansado isso tudo aqui não passa de mentira. Pacientemente eu com um carinho de pai que acolhe um filho em desespero passei a mão no rosto daquele filho de fé é disse :Filho olhe em sua volta , olhe cada pessoa que esta dentro desta casa você acha que elas também não passa por problemas , você acha que a vida delas e um Jardim sem espinhos. Filho nada adianta você colocar o branco aqui durante a gira mas quando você passa daquela porteira pra fora você julga , você condena as pessoas. Em seu lar você não respeita sua mãe e seu pai em dias que não tem sessão você para na porta de um boteco e bebe até perde os sentindo é sem se dar conta e sugado por obsessores.Filho o trabalho da Umbanda ultrapassa o espaço físico de um terreiro não adianta ser Somente boa pessoa aqui dentro é lá fora ser uma má pessoa.A Escolha e sua de sair ou não desta casa mas tenha certeza que eu jamais irei sair da sua vida. Que este humilde velho jamais deixara de vibrar por você Serei sempre este velho pai , amigo de sempre você estando ou não de roupa branca. Porém lembre-se meu filho se você não se permitir mudar você não vai ver melhora alguma em sua vida.Quando eu velho levantei a cabeça o filho de fé estava chorando e pedindo perdão por não ver que a culpa das coisas não estarem dando certo era somente dele , ele compreendeu que um guia sozinho não pode fazer tudo se seu aparelho não colaborar .Foi aí que peguei este filho pela mão e levei ele até o congá e disse: filho não é a este velho que você deve pedir perdão fique de joelhos eleve seu pensamento e converse com pai oxalá peça a ele o perdão, pois oxalá ele esta de braços abertos sempre acolhendo todos os filhos de fé sem distinção, ele acolhe , ele abriga mas ele pai oxalá também ensina ele ensina que se você não caminhar nada vai mudar.Mudança de hábitos este e o verdadeiro ensinamento da Umbanda. Enquanto o filho chorava de joelhos enfrente a imagem de Oxalá eu voltei pro toco novamente para trabalhar além dele tinha outros filhos para explicar que a força da Umbanda vai além de um Congá.Pai Joaquim de Angola
Lições de Preto-Velho
Nos meus primeiros passos na umbanda, ainda como consulente, uma Cabocla muito esperta me perguntou se eu tinha fé e eu respondi: – Eu tenho dúvida.Respondi esperando a bronca, o sermão sobre como a fé é importante e que eu deveria me corrigir para chegar ao paraíso (ou algo do tipo).Acostumada como estava com os ensinamentos da igreja sobre certo e errado, paraíso ou inferno eternos, não imaginei que existiria uma religião que admitisse e aceitasse que eu não fosse perfeita, nem quisesse me impor a salvação ou o inferno eterno caso eu não seguisse à risca os preceitos religiosos.A resposta da cabocla foi:– Isso é bom! A dúvida é a porta de entrada do caminho da fé. Graças à dúvida, fia vai atrás da verdade e quando encontrar a verdade, encontrará a sua fé.As palavras dela foram como beber agua geladinha em dia de calor. Ela, da forma mais simples do mundo, havia transformado o que eu considerava um defeito, uma falta, em benção, em graça.E hoje, já médium de passe dentro do terreiro, o Preto-Velho que me acompanha e me guia, disse a uma consulente que se sentia decepcionada pelas pessoas religiosas que tinham defeitos, porque na cabeça dela, se a pessoa abraçou uma religião ela tinha que ser, no mínimo, santa e não cometer os erros que “pessoas comuns” cometem, como mentira, falsidade, etc.E ele disse:– Fia não pode julgar as pessoas pelo que fia vê, porque tem toda uma história por trás dessa pessoa que fia não conhece. Se fia um dia andasse com os sapatos dela, é capaz que fia fizesse as coisas igualzinho a pessoa faz, cometesse os mesmos erros que julga agora a pessoa cometer.“Todo mundo tem defeito, eu mesmo também os tenho. Fia acha que eu sou santo? Não fia… sou igual todo mundo, tive que aprender do jeito mais difícil, tive que perdoar, tive que entender um monte de coisa, e ainda tenho o que aprender porque é assim fia, o aprendizado é para sempre, a gente morre e volta e aprende lá e cá e isso é assim pra sempre.”“Fia não deve se preocupar com as outras pessoas, porque elas estão fazendo o que estão evoluídas para fazer, fia deve se preocupar só com o que fia tem de aprender e cada um de nós um dia vai chegar onde precisa chegar. Em vez de julgar o erro do outro, fia tenta se por no lugar do outro e viver a vida do outro, se fia não consegue fazer isso então fia, apenas aceite que as pessoas estão evoluindo e aprendendo e segue seu caminho evoluindo e aprendendo.”Novamente eles aceitando que temos erros, e se mostrando falhos também. Não seres completamente desprovidos de errar, mas pessoas como nós, que um dia também erraram, e estão evoluindo, assim como todos nós.Talvez seja isso o que eu mais gosto na umbanda. Ela aceita que eu tenha defeitos, entende que eu tenho lições a aprender e é extremamente compreensiva com minhas falhas. Uma religião que não exige que eu seja perfeita para então receber a recompensa do paraíso, ou o inferno caso eu continue no erro. Mas exige de mim que eu continue sempre aprendendo e evoluindo e que me diz que eu vou aprender pelo amor ou pela dor, e isso cabe a mim escolher. Uma religião que eu não vai virar as costas para mim se eu errar, vai estar lá segurando minha mão enquanto eu estiver pagando pelas escolhas erradas que eu fizer. E vai me acolher sempre que eu necessitar. Mesmo que as vezes, para mim na cegueira do ego, esteja achando que eu estou abandonada.Saravá Pai Antonio pelo aprendizado de hoje.
LINHAS DE TRABALHO - COMO DESENVOLVER OS BAIANOS?
É uma linha que está sempre disposta a ajudar aqueles que neles acreditam, dando conselhos e muita proteção, porém os baianos não trabalham apenas na Umbanda, muitos atuam na Quimbanda também, geralmente não descem nos trabalhos de esquerda, mas tem a permissão para atuar no plano espiritual. São espíritos alegre, brincalhões, descontraídos e com uma força muito grande para desmanchar trabalhos e quebrar demandas, bons conselheiros, gostam das festas que são destinadas à eles e nelas as Casas costumam utilizar como pratos a serem ofertados, os típicos da Bahia.Os baianos nas giras ele se apresentam com forte traço regionalista, principalmente em seu modo de falar cantado, diferente, eles são do tipo que não levam desaforo pra casa, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente, são carinhosos e passam segurança ao consulente que tem fé.Mais como desenvolver meu baiano?No meu entender o ponto de força dessas entidades são as praias e os coqueiros, vou compartilhar de que forma seria o desenvolvimento utilizando como referência esses lugares...Quando chegar o desenvolvimento dessa linha, feche os olhos e mentalmente dirija-se para praia, sinta o vento, a brisa, o cheiro da maresia, o sol e o vento bem agradável, procure uma sombra debaixo de um coqueiro...sinta em tuas mãos a areia da praia, sinta no teu rosto o vento soprar, os coqueiros balançando...sinta o axé dos baianos em seu corpo, a energia firme e a fé deles em ti...veja que lentamente um baiano ou uma baiana se aproxima de ti, com passos calmos e a cada respiração tua ele vai se tornando mais nítido, vibrante e forte na tua mente. Converse com essa entidade que se aproxima, peça que risque seu ponto na areia e assim mostre sua identidade, preste atenção nos adereços que ele carrega, no tipo de fumo, qual bebida está em suas mãos, pode ser uma pinga, uma água de coco, se usa chapéu, turbante, saia....Sinta o poder dessa entidade envolvendo teu corpo e tua mente, faça isso em todos os desenvolvimentos destinados à essa linha e sentirá cada vez mais força, segurança, confiança e uma vibração mais intensa a cada desenvolvimento na linha dos baianos.Axé a todos!Texto de Mara Rúbia
MÃE MARIA CONGA
Maria Conga, Mãe De onde ela veio, Angola, Congo, Moçambique, Guiné, Luanda, não importa, pois a sua presença representa um lenitivo para as nossos sofrimentos e uma lição de vida daquela preta velha, que com o seu cachimbo branco, saia carijó, terço de lágrimas de nossa senhora, senta-se em um toco de madeira no terreiro e conta os fatos de sua vida em terra brasileira, começando dizendo que só o fato de podermos conviver com nossos filhos é uma grande dádiva. Vinda da África distante, filha de Pai Rei Congo e Vovó Cambinda, chegou a Bahia pelos navios tumbeiros a escrava que foi dado o nome de Maria. Como sua origem era da tribo do Rei do Congo, foi chamada de Maria Conga. Naquele tempo as negras eram coisas e destinadas a cuidar da lavoura, a procriar, a gerar filhos que delas eram afastados muito cedo, até mesmo antes de serem desmamados.Outras negras alimentavam sua cria ou de outras escravas, assim como tantos outros candengues foram amamentados pela Mãe Maria Conga. Quase todas as mulheres escravas se transformavam em mães; cuidavam das crianças que chegavam à fazenda sem saber para onde foram enviados os seus pais, rezando para que seus próprios filhos também encontrassem alento aonde quer que estivessem. Os orixás africanos, desempenhavam papel fundamental nesta época. Diferentes nações africanas que antes guerreavam, foram obrigadas a se unir na defesa da raça e todos os orixás passaram a trabalhar para todo o povo negro.As mães tomavam conhecimento do destino de seus filhos através das mensagens dos orixás. Eram eles que pediam oferendas em momentos difíceis e era a eles que todos recorriam para afastar a dor. Vovó Maria Conga para deixar de ser uma reprodutora passou a se utilizar de algumas ervas, e pelo fato de ser uma escrava forte, foi enviada para a plantação de cana, onde a colheita era sempre motivo para muito trabalho e uma espécie de algazarra contagiava o lugar, pois as mulheres cortavam a cana e as crianças, em total rebuliço, arrumavam os fardos para que os escravos os carregassem até o local indicado pelo feitor. Foi numa dessas ocasiões que Maria Conga soube que um dos seus filhos, afastado dela ainda no período de mamentação, tinha se tornado um escravo forte e trabalhava numa fazenda próxima.Então o amor falou mais forte e seu coração transbordou de alegria e nada poderia dissuadi-la da idéia de revê-lo. Passou Maria Conga a escapar da fazenda, correndo de sol a sol, para admirar a beleza daquele forte negro. Nas primeiras vezes não teve meios de falar com ele, mas os orixás ouviram suas súplicas e não tardou para que os dois pudessem se abraçar e derramar as lágrimas por tanto tempo contidas. Parecia a ela que eles nunca tinham se afastado, pois o amor os mantivera unidos por todo o tempo.Certa tarde, quase chegando na senzala, a negra foi descoberta. Apanhou bastante, foi acorrentada, mas sempre conseguia passar os seus pés pelos grilhões e não deixou de escapar novamente para reencontrar seu filho. Mais uma vez os brancos a pegaram na fuga, novamente a acorrentaram com os grilhões nos pés e como ela ainda insistisse uma terceira vez resolveram encerrar a questão: queimaram sua perna direita, um pouco acima da canela, para que ela não mais pudesse correr.Impossibilitada de ver o filho, com menor capacidade de trabalho e locomoção, Maria Conga começou o seu lamento de dor e passou a cuidar das crianças negras e de seus doentes. De repente, Maria Conga foi encontrada calada, triste, com o coração cheio de tristeza ao saber que seu filho tinha sido morto quando tentava fugir para vê-la. Seu comportamento mudou e de alegre e tagarela passou a ser muito séria, mas sempre cuidava dos escravos doentes e de outros negros que vinham procurar o seu conselho e contava histórias de reis negros para as crianças, de outras terras além mar, onde não havia escravidão.Um dia os escravos ao procurar pela Vovó Maria Conga dentro da senzala, estranharam o seu sono sereno e o seu semblante alegre ao dormir. Como o sol rompeu e a escrava não acordava os escravos a foram chamar, foi onde houve a surpresa, não encontraram o corpo, pois Maria Conga desencarnou e não mais estava neste plano terrestre, pois Orumilá a havia resgatado, para se tornar mais uma estrela da sua constelação. De nada adiantou os feitores açoitarem os escravos, pois os mesmos não sabiam como explicar o sumiço da escrava Maria Conga.Paulo de Tarso, de Juiz de Fora, MG
Pai Benedito
Seu nome foi José Benedito, desencarnou aos 90 anos de idade, nasceu na Guiné (Oceania), foi levado para a África negra por negreiros. Um dia, quando ainda era criança, perdeu-se de sua aldeia, e foi encontrado por um velho aborígine, que antes de levá-lo para o seu povoado ficou com ele por um período de 3 meses, nos quais o aborígine procurou ensinar suas crenças a ele.Mas José Benedito já possuía suas crenças, por isso não acreditou muito no que o aborígine lhe falou. Ao voltar para sua aldeia, ele deparou com vários negreiros, que o levaram juntamente com seu pai para o mercado da África.Dentro do navio ele era um dos mais jovens, contava com 10 anos. O navio, que comportava 700 pessoas, tinha mais de 1500, onde todos faziam suas necessidades fisiológicas ali mesmo, onde estavam presos. Isto ocasionava muitas doenças, além das transmitidas por ratos. Durante a viagem muitos foram morrendo, e os que estavam feridos, os negreiros jogavam água com sal sobre as feridas. Durante a noite jogavam água com sal aonde os negros ficavam, por acharem que isso desinfetava o local, e de dia abriam as portinholas para que a luz do sol entrasse. Os negreiros queriam evitar as mortes, pois isso lhes causava prejuízos. Seu pai contraiu uma virose e veio a falecer, sendo seu corpo jogado ao mar.Logo após a morte de seu pai, veio-lhe a primeira provação de fé. Sentia-se mal e sabia que tinha adquirido alguma doença, por causa da lavagem que lhes serviam. Surgiu-lhe então, a imagem do aborígine. Era tão real que ele chegou a ter certeza de que não era sonho, pois ele falava com o aborígine. Este lhe disse para parar de beber a água e de comer a lavagem que lhes davam. Ao invés, ele deveria pegar a alfafa já quase apodrecida que estava forrando o chão, e lavá-la com a água do mar que jogavam lá dentro todos os dias.Assim o fez.Após uma viagem de mais de 40 dias, ele finalmente chegou no continente africano, para posteriormente ser levado ao Brasil. Mas houve um atraso no negreiro, que durou cerca de 6 anos. Nesse período, trabalhando como escravo, ele entrou em contato com outras culturas, ou seja, escravos provindos de outros países.Uma das pessoas que conheceu foi um angolano chamado Zimzumba, que era curandeiro e feiticeiro da nação nagô. Zimzumba ensinou-lhe a ler e ensinou-lhe a magia, e disse-lhe em uma de suas visões de que nada lhe adiantaria fugir, porque seria escravo por toda a sua vida, que iria ensinar a muitos negros como ser forte e lutar por seus ideais, e que viria a não mais escutar a voz das pessoas.A princípio não entendeu, mas acreditou, lembrando-se de como o aborígine havia lhe ajudado.Após esse período de 6 anos foi levado ao Brasil Colônia, em uma viagem de mais de 30 dias. Aportou em Parati e foi vendido em um leilão ao Sr. Patrocínio e a Sra. Joaquina, que moravam em uma fazenda no interior de São Paulo. Lá chegando conheceu o único amor de sua vida, Maria Benedita, que hoje trabalha na linha da Vovó Conga.Passaram-se vários anos, e ele, insatisfeito com a vida que levava, viu novamente, em uma noite de lua cheia, o aborígine. Este he pediu que entrasse em contato com a cultura daquele país. Fazendo isso, teve o primeiro contato com o que seriam os Orixás.Longe de suas crenças, e já crendo no aborígine, começou a se aprofundar nesse culto afro-brasileiro, onde acabou por casar-se com Maria Benedita. Sendo ela mucama da casa grande, pois sabia ler e escrever, conseguiu junto a seus donos que ele fosse trabalhar lá. Importante notar que seus donos gostavam muito de ambos, mas sendo ele um tanto bisbilhoteiro, acabou descobrindo uma tramóia contra o Sr. Patrocínio, urdido por seus filhos para tomarem posse das terras. Um deles, ao descobrir que José Benedito havia descoberto tudo, mandou-o de volta para a senzala, e ordenou que lhe furassem os dois ouvidos.Foi aí que começou a sua caminhada de fé. Começou a acreditar de verdade na força espiritual dos Orixás, e passou a freqüentar mais os cultos. Nesse período conheceu quem seria seu maior carrasco. Como castigo por ter tentado avisar o Sr. Patrocínio, ele facilitou minha fuga para então me matar, mas durante a fuga surgiu uma luz forte que cegou a ele e ao capitão-do-mato, não conseguindo ele seu intento. Levou-me então de volta e permaneci vários dias no tronco, sendo chicoteado diariamente.Mas algo lhe fazia ter forças para viver, e sabia que alguém cuidava dele.Quando Maria Benedita veio lhe dar água, disse-lhe que estava grávida. Após alguns meses nascia José Benedito de Angola, seu único filho. Não satisfeito, o filho do Sr. José Patrocínio vendeu Maria Benedita, desagradando a Sra. Joaquina.Seu filho ficou sendo cuidado por uma outra escrava. José Benedito revoltou-se sendo novamente amarrado ao tronco. Surgiu então diante dele a figura de uma mulher, dizendo-lhe que iria conseguir trazer Maria Benedita de volta, e de que nada adiantaria ele pegar a criança e fugir, que sua missão era ali. Ela falou-me que sairia dali e traria Maria Benedita, e voltaria ao tronco por mais alguns dias. Duvidou, mas o aborígine apareceu-lhe e disse-lhe para acreditar, pois já havia tido muitas provas.Surgiu diante dele um homem em um cavalo branco e em seguida ele adormeceu. Quando acordou Maria Benedita estava de volta à fazenda. O capitão-do-mato passou a temê-lo, chamando-o de feiticeiro. Passou então a seguir o culto dos negros de longe, e maltratando-os menos. Passaram-se anos. Maria Benedita desencarnou antes dele, e seu filho morreu de uma doença desconhecida. José Benedito passou todos os seus conhecimentos para as gerações seguintes.Quando desencarnou encontrou-se com o aborígine, que era seu Mentor Espiritual. Uma de suas missões era fazer com que alguém que tivesse feito muito mal às pessoas, acreditasse que poderia trabalhar no astral, ajudando a muitos. Essa pessoa foi o capitão-do-mato, que ao desencarnar foi doutrinado por Pai Benedito, e que atualmente trabalham juntos com o mesmo médium, na linha de Boiadeiro.O principal material utilizado por Pai Benedito é um chapéu de palha, onde ele faz as suas mandingas.Trabalha também com ervas, utilizadas para cura. Dependendo para o que for o trabalho, pode ser colocado em mata, cachoeira, mar, trilho de trem, encruzilhada, cemitério, enfim qualquer lugar, pois ele passou por todos.MEU GLORIOSO PAI BENEDITO DE ARUANDASaravá o bondoso Preto-Velho de Umbanda Pai Benedito de Aruanda, alma bendita e abençoada, que um dia nasceu nas terras da velha mãe África.Suplico a tua força para me desamarrar dessas amarguras que depositaram em minhas costas.Pai Benedito de Aruanda, fostes um grande mirongueiro; livravas os infelizes das ganas dos males físicos e espirituais, me ajude agora e sempre, por onde meus pés cansados caminhar.Cruza a tua pemba imaculadamente branca, pedindo o Pai Olorum, Pai Zambi, Pai Oxalá para trazer paz em minha vida e a angústia do meu coração desaparecer.Ao fumar o teu cachimbo, tua fumaça faz desenhos no ar, carregando o medo, a calúnia e tudo o que venha fazer meu coração sofrer.Oh! Meu Pai Benedito de Aruanda , com tuas ervas reze para abrir meus caminhos, espantando meus inimigos, os feitiços e as ciladas bem armadas, me livrando e livrando meu Anjo da Guarda.Saravá Umbanda!Saravá Pai Benedito de Aruanda!PRECONCEITOO sangue que correNas veias do negro,Não tem diferençaDo teu, meu irmão.É filho valenteDa Pátria querida,Amigo e patriota,Como os brancos o são.Que importa a cor dele,Se no peito lhe bate,Febril coração?Sua alma difereAcaso da tua? ...Não vês o valorDos músculos de aço,Do olhar altaneiro,Do riso tão franco?Deixa o preconceito,O orgulho de ladoQue embota tua alma.Esse homem que luta,Trabalha e que chora,Nasceu como tu,Na terra adorada,No berço querido,No imenso Brasil!!! ...Adorei as AlmasPRECE DE UM BOM VELHINHO“Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste Preto Velho chorava”. De seus olhos molhados, lágrimas lhe desciam pela face e não sei por que as contei.. Foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e o interroguei.- Fala meu Preto Velho, diz a este teu filho, por que eterna assim, esta tão visível dor ?- Estão vendo, filho, estas pessoas que entram e saem do terreiro? As lágrimas que você contou, estão distribuídas a cada uma delas.- A primeira lágrima foi dada aos indiferentes, que aqui vem em busca de distração. Que saem ironizando e criticando, por aquilo que suas mentes ofuscadas não puderam compreender.- A segunda, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando. Sempre na expectativa de um milagre, que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos lhes negam.- A terceira, aos maus. A aqueles que procuram a Umbanda em busca de vinganças, desejando prejudicar a um seu semelhante.- A quarta, aos frios, aos calculistas. Aos que, ao saberem da existência de uma força espiritual, procuram beneficiar-se dela, a qualquer preço, mas não conhecem a palavra gratidão e nem a Caridade.- A quinta lágrima, vê como chega suave? Ela tem o riso, do elogio e da flor dos lábios. Mas se olhares bem, no seu semblante, verá escrito: 'Creio na Umbanda. Creio nos teus Caboclos, nos teus Velhos, e no teu Zâmbi, mas somente se vencerem no meu caso ou me curarem disso ou daquilo'.- A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Terreiro em Terreiro, sem acreditar em nada, buscando aconchegos e conchavos. Mas em seus olhos revelam um interesse diferente.- A sétima filha, notas como foi grande ? Notou como deslizou pesada ? Foi à última lágrima. Aquela que nos vive 'Olhos' de todos os Orixás e de todas as entidades. Fiz doação desta, aos Médiuns. Aos que só aparecem no Terreiro em dia de festa. Aos que esquecem de suas obrigações. Aos que esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade, tantas 'crianças' precisando de amparo. Da mesma caridade e do mesmo apoio que eles próprios, um dia aqui vieram buscar.Assim, filho meu, foi para esses todos que vistes cair, uma a uma, AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHOCaminhos da Umbanda