segunda-feira, 13 de setembro de 2021

LINHA MESTRE DE TRABALHOS ESPIRITUAIS DOS PRETOS-VELHOS

 LINHA MESTRE DE TRABALHOS ESPIRITUAIS DOS PRETOS-VELHOS


Pode ser uma imagem de 1 pessoaRepresenta em suas naturezas espirituais a manifestação da fé, humildade, sabedoria, caridade e maturidade.
A Linha dos Pretos-Velhos é a que através da humildade, amor, caridade e compreensão, consolam os aflitos,
reanimam os fracos e a tudo perdoam, se houver arrependimento. Representam um grupo social sofrido e discriminado; um grupo que apesar de ter sido tirado à força de sua terra natal, de ter sido tratado de uma forma revoltosa (passaram por 378 anos de escravidão), não perderam sua religiosidade nem o respeito pelas entidades ancestrais cultuadas pelos seus. Este grupo foi, em grande parte, responsável pelas bases da nossa sociedade e da nossa querida Umbanda.
Assim, os Pretos-Velhos trazem para nós o arquétipo da humildade, da paciência, da sabedoria, do amor, da bondade; São detentores de uma grande luz e conhecimento e em várias encarnações foram sacerdotes e filósofos, ou seja, homens de um profundo conhecimento dos mundos espiritual e humano.
Os Guias Espirituais que trabalham nessa Linha Espiritual são anciões, detentores de uma grande sabedoria adquirida durante milênios, e são possuidores de um grau de evolução muito elevado.
Em um Terreiro, prestando atenção nessas queridas entidades que nos amparam, veremos que são verdadeiros “Pais” e “Mães” para todos que os procuram. Eles têm sempre uma palavra de consolo, um conselho sábio, uma paciência infinita para com as imperfeições do ser humano e uma bondade sem tamanho; São seres de muita luz, e de muito conhecimento, incapazes de cultivar a discórdia e são grandes apaziguadores de situações difíceis. Prestando ainda mais atenção, pode-se ver que eles já desenvolveram todas as boas qualidades e sentimentos puros de que vimos falando e que estão sempre a nos amparar e amar. São os grandes semeadores e divulgadores do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Os Pretos-Velhos são muitíssimos respeitados e são seres de grande atuação. Sobre a atuação dos Pretos Velhos, podemos dizer que são entidades curadoras das doenças da alma e do corpo, assim como são entidades ativas para “desmanchar” magias negras e trazer a paz dentro dos lares e das pessoas. Não devemos nos deixar enganar pela sua fala mansa e humilde, e aparente desinformação sobre as coisas terrenas, pois esta é só uma das formas de se apresentarem a nós e de se revestirem de uma grande humildade.
Por trás do jeito humilde, do linguajar simples, encontraremos palavras de grande sabedoria, grandes conselhos e ensinamentos que, se seguidos e respeitados, Nos levarão ao caminho reto até o Pai Celestial, pois seguem as diretrizes de Nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fielmente o Seu Evangelho Redentor.
Em suas mensagens, esses Guias Espirituais maravilhosos sempre passam um exemplo, uma comparação, ou uma oração oriunda das palavras da fé cristã. Além disso, a sua “forma de vir a Terra”, sempre curvados e exercendo uma enorme força ao se locomoverem mostram que suas presenças vêm
de um grande sacrifício, e, por serem, Espíritos utilizando a roupagem fluídica arquetípica de ex-escravos, nos
mostram que, embora sofreram e padeceram em vida, mas em Espírito estão ali, prestes a dar uma orientação,
uma palavra de conforto, uma ajuda a quem quer que seja mostrando uma resignação comparável somente a
de Cristo.
Uma outra forma de identificação dos Pretos-Velhos com a cristandade são os elementos trabalhados por esses
Guias Espirituais, como: o Rosário, a Cruz, o Cruzeiro das Almas, seus pontos riscados, a utilização de rezas como o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Nos abençoam em nome do Senhor Jesus, da Mãe Maria Santíssima, da Mãe Senhora Aparecida. Os nomes que os Pretos-Velhos adotam também denunciam sua ligação cristã, pois estão, quase sempre, vinculados aos Santos ou aos Anjos, como: Pai João, Vovó Catarina, Pai José, Vovó Maria, Mãe Aparecida, Pai Cipriano, Vovó Ana, Vovó Rita, Pai José do Cruzeiro, Pai Miguel, Pai Rafael, Pai Gabriel, etc.
Fonte: Excerto do livro: O rosário das almas santas

O 1º PRETO VELHO

  O 1º PRETO VELHO


Pode ser arte de 1 pessoaUma antiga lenda contada por velhos juremeiros do Nordeste diz que o primeiro mestre negro que chegou no Brasil se chamava Joaquim.
Este era seu nome de batismo cristão. Seu nome africano, provavelmente em língua kimbundu, se perdeu.
Mestre Joaquim era sábio de nascença. Na Mãe África, em terras de Angola, desde cedo ele observava os kimbandas ou curandeiros locais. Joaquim aprendia tudo o que via. Levado por um tio materno, um grande kimbanda, ele recebeu cedinho a sua iniciação no culto, Joaquim foi ensinado a observar a Natureza e a descobrir o mistério atrás de cada folha, raiz e árvore.
Mãe Ntoto, o grande Nkizi (espírito natural e transcendente) da Terra, acolheu o jovenzinho e transmitiu sua bênção regeneradora a ele.
Crescido, o rapaz não teve tempo de formar família. Guerras tribais o levaram longe da aldeia, onde foi aprisionado e embarcado para a distante nação brasileira.
Desembarcando em porto nordestino, foi vendido. Trabalhou na lavoura dia após dia. Quieto, mas não passivo, observou o sofrimento de seu povo.
Nas poucas horas de tranquilidade atendia aos doentes. Com o auxílio dos espíritos de Mãe Ntoto, descobriu as funções das ervas que aqui cresciam. Preparava breves, poções e mezinhas.
Quando tinha chance, amoitava-se e penetrava no mato, onde falava com os espíritos locais, invocava os ancestrais e rezava aos Minkizi (o conjunto dos Nkizi).
Certo dia foi procurado por um índio velho, que administrava uma pequena propriedade de um capataz branco. O índio tinha observado as atividades de Joaquim no mato e ficou muito curioso...
Uma amizade forte e espiritual nasceu deste encontro. Foi com este índio que Joaquim conheceu os poderes da Jurema.
Numa noite ele bebeu da cuia de Jurema do velho tuxaua, sentiu seu corpo frio como a morte, percebeu a mente crescer e ganhar asas...
A alma de Joaquim voou pelos céus e viu as casas ficarem pequeninas, a Lua ficar mais perto e as estrelas parecerem mais brilhantes.
Lá no firmamento parecia existir uma luz desconhecida e ele seguiu até lá. O luzeiro foi ficando mais perto e Joaquim encontrou uma aldeia, com gente, casa e tudo.
Um cacique desconhecido chegou perto dele e o recebeu com alegria e dignidade. Joaquim entrara misteriosa na Cidade dos Mestres, na Aldeia do Juremal ! O que ele realmente viu e aprendeu lá nunca contou a ninguém. Mas quando voltou à terra dos encarnados, ele não era mais um Joaquim, era o Mestre Joaquim!
O tempo corria e nosso mestre, ainda escravo, foi consumindo seu corpo no serviço desumano imposto a sua raça.
Um tarde ele se aconchegou depois do trabalho, fechou os olhos e morreu. Sua alma foi levada novamente para a Cidade Santa e entrou triunfalmente no santuário da Mãe Jurema, louvado pelos mestres e mestras, profetas e guerreiros.
Certa madrugada uns caboclos montaram uma mesa (sessão espiritual de jurema), cantaram e abriram as portas reais.
Os mestres do Outro Mundo foram baixando um após o outro. Tudo era harmonia e beleza! Um caboclo maduro e mais escuro cantou:
“Mestre Joaquim, é kimbanda!
Veio trabalhar, é kimbanda!
Mestre Joaquim é de Angola,
é kimbanda! É kimbanda!”*
(Nos Pontos ou Linhos mais modernos e populares, a palavra “é kimbanda”, ou seja “é curandeiro”, transformou-se em “esquimbanda”.
Daí perdemos o sentido tradicional africano.)
Esta foi a primeira vez que Mestre Joaquim acostou (baixou ou incorporou na linguagem dos juremeiros) e desde então começou seu eterno exercício de caridade, fruto do amor maior e da ciência sublime.
Mestre Joaquim de Angola, de cachimbo na mão e chapéu na cabeça: O Rei negro da Jurema Sagrada!
O tempo passou depressa... A Umbanda ainda não tinha nascido, mas Mestre Joaquim já procurava outros agrupamentos para levar a sua missão. O negro bantu nunca temeu seus ancestrais e sempre colocou suas almas benditas no coração quente que batia de saudades. Lá nas praias do Nordeste, nas montanhas de Minas Gerais ou no sopé dos morros cariocas, nosso mestre juremeiro africano batia sua bengala e dava seu nome:
Pai Joaquim de Angola! Imagem da bondade, da sabedoria e da humildade.
Quando a Umbanda veio a este mundo, gestada na luz de Cristo, no Axé dos Orixás e Minkizis e abençoada pela energia dos pajés, Pai Joaquim foi um dos primeiros guias a se apresentar.
Afinal já era preto velho diplomado! Pai Joaquim baixou e nunca parou de trabalhar.
“Pai Joaquim, ê, ê,
Pai Joaquim, ê á,
Pai Joaquim veio de Angola,
Pai Joaquim é de Angola, Angola á!”
*Usamos neste artigo a palavra Kimbanda em seu sentido tradicional: curandeiro ou xamã bantu. Não é, portanto, uma referência ao quimbandeiro ou praticante da Quimbanda, culto sincrético com poucos elementos bantu.
Por Edmundo Pellizari. Fonte: Jornal de Umbanda Sagrada.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

PROFUNDO... Por favor, nos fale mais sobre o “reino” que as entidades obsessoras criam na Terra. Por Pai Tomé.

 PROFUNDO...
Por favor, nos fale mais sobre o “reino” que as entidades obsessoras criam na Terra.
Por Pai Tomé.


Pode ser arte de 1 pessoaObserve que existem Espíritos que são tratados como reis, rainhas, príncipes e princesas. Adoram festas e banquetes, roupas brilhantes, bebidas, elogios e sensualidade. Mimam seus médiuns e atendem suas vontades de satisfação dos mais ocultos desejos, desde que estes sejam submissos e serviçais. Devido à cega subserviência e adoração, afinal se colocam como “divindades”, conseguem farta quantidade de tônus vital – ectoplasma –, necessário para plasmarem pequenas “bolhas”, ou esferas vibratórias, tornando-se provisoriamente imunes à lei de reencarnação. Imantam-se na contraparte etérica desses terreiros e criam verdadeiras cidadelas ou “reinos”.
Ocorre que a impermanência que a tudo permeia no Plano Astral e material terreno fará com que seus médiuns envelheçam e pereçam, deixando de lhes fornecer as refeições sacrificiais. Por vezes, o efeito de retorno do magnetismo telúrico, que impõe a reencarnação para o perispírito denso não se degradar, é imediato. Como bananas amassadas por pisadas de elefantes, podem sofrer um processo de ovoidização, em que seu perispírito perde a sua forma humana. Ficarão nesse estado de petrificação consciencial, no mínimo, pelo mesmo tempo que conseguiram burlar a imperiosa reencarnação.
Literalmente, transformam-se em pedras duras e áridas nos vales dos umbrais inferiores. Somente com a intercessão superior à Misericordiosa Divina serão autorizadas suas imediatas reencarnações sumárias, no mais das vezes em penosas condições, que darão a eles o choque fluídico adequado para que seus corpos astrais – períspiritos – não se degradem. Não é incomum que essas encarnações se efetivem em planetas inferiores e primários, onde a necessidade de caça é o meio de sobrevivência.
DO LIVRO ESTRELA GUIA - O POVO DO ORIENTE NA UMBANDA. Pai Tomé - Norberto Peixoto.