quarta-feira, 2 de outubro de 2019

A História de Vovô Benedito da Calunga



Meu cachimbo está no toco Manda moleque buscar!
No alto da derrubada Meu cachimbo ficou lá!
Quem não pode com a mandinga não carrega Patuá.
Na aroeira de Vô Benedito Preto velho mandou me chamar.
Chama chama chama na aroeira de Vô Benedito.
La no mato tem flores tem rosário de Nossa senhora.
Na aroeira de Vô Benedito, Vô Benedito que nos valha nessa hora.
Está iluminada a nossa Umbanda Está cheio de flor no seu Gongá,
Vô Benedito sabe tudo que eu faço Vovô Benedito ilumina os caminhos por
onde eu passo.

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    Vovô Benedito da Calunga é um doce, carinhoso, brincalhão e
sorridente Preto Velho, que trabalha para a caridade na Umbanda,
trazendo esperanças para os filhos que se encontram sem caminho a
seguir, trazendo alegrias para quem se entregou as tristezas, trazendo
forças para seguirmos adiante sempre com fé em Deus.

    E como ele faz tal coisa?

    Apenas com suas palavras, seu sorriso de criança levada, suas
histórias do seu tempo de cativeiro, suas lições de vida e sua fé.

    Mas quem foi e esse ser tão iluminado e divino?

    Vovô Benedito foi um negro escravizado, pela covardia dos
senhores escravocratas, e teve sua ultima encarnação vivendo entre o
final do século XVIII e o século XIX.

    Essa história de fé começou, quando Benedito nasceu em uma senzala
de uma grande fazenda cafeeira, por alguma localidade dentro do
Sudeste do Brasil.

    Como naquela época as mulheres escravizadas começavam a reproduzir
muito cedo e continuamente, o corpo não conseguia uma recuperação
adequada, e por esse motivo muitas delas desencarnavam na hora do
parto, sendo esse feito sem muitos cuidados, ocasionando vários tipos
de problemas a saúde e ao corpo físico.

    E foi assim que a mãe de nosso Benedito fez o desencarne, deixando
seu fruto com alguns poucos minutos de vida.

    Ao ver sua companheira emitindo os últimos suspiros antes de ser
entregue aos braços da tão temida morte, o pai do pequeno Benedito,
que era um negro forte e corajoso, caiu em desespero, e aos gritos
clamou por ajuda chamando pelas negras mais experientes como
parteiras, mas já era tarde demais.

    Seus gritos de desespero se tornaram gritos de ira e ódio,
chamando a atenção dos feitores algozes, que ao adentrarem na senzala
foram atacados pelo negro em desespero.

    O negro corajoso não temendo pela sua vida foi ao encontro de
forma a atacar os feitores, mas esses o prenderam e o levaram ao
tronco, aguardando as ordens do poderoso Coronel cafeicultor.

    E do tronco para a morte, após centenas de chibatadas, o negro se
foi, fazendo assim do pequeno Benedito órfão no seu primeiro dia de
vida.

    Após esse acontecido, uma negra de nome Joaquina, já mulher
madura, decide que ela a partir dessa data faria de tudo para proteger
o pequeno Benedito, nome que a própria Joaquina escolheu.

    Benedito crescia, aos cuidados da velha Joaquina, conhecida também
como a velha feiticeira da fazenda. Ela o ensinava as magias dos
negros africanos, as benzeduras para os males físicos e espirituais, a
arte da cura através das ervas e raízes.

    E assim Benedito ia crescendo, se tornando amado por seus irmãos
de cor, aprendendo as lições da vida pelos velhos negros, aprendendo
a entender o que os ventos queriam dizer, o que as estrelas nos
indicavam, o que a lua poderia nos ajudar, enfim, tudo que era
dominado pelos Orixás ele buscou entender, não para simplesmente
saber, mas para poder com isso auxiliar seus irmãos escravizados, e
tentar acalentar um pouco a dor de tanto desamores com os negros.

    Já com 5 anos de idade, Benedito começa a frequentar a sede da
casa grande, onde residiam o Coronel cafeicultor, sua esposa, e o
jovem coronel, filho do casal, com sua esposa.

    E também nessa época nascia a grande companheira do menino
escravizado, a pequena menina, única neta do coronel cafeicultor, que
anos mais tarde se tornaria além da protetora dos negros escravos, a
grande paixão do negro Benedito.

    Benedito através da velha Joaquina foi conduzido a fazer pequenas
tarefas, e assim não ficaria sobre o forte sol das grandes e
intermináveis plantações de café, algodão, cana de açúcar, entre
outras.

    E assim ele foi crescendo sobre os olhos de sua mãe de coração, e
de todos os que residiam na casa grande. inclusive da pequena menina
que já era conhecida como a "sinhazinha da fazenda".

    Benedito já crescido, após saber da história de seus pais, e saber
que seus corpos inertes foram jogados ao fundo de um grandioso lago,
nas imediações da fazenda, tomou para si a responsabilidade e a missão
de sepultar dignamente os corpos de todos escravos, que viessem a
desencarnar, seja de modo natural, ou de modo brutal nos açoites e
troncos de castigo corporais na qual todos escravizados sofriam nas
mãos de seus algozes e famigerados feitores e coronéis.

    E foi assim que ele, retirava esses corpos das imediações do
grande lago, das dezenas de troncos espalhados por intermináveis
terras da grandiosa fazenda, das senzalas fétidas, e os conduziam para
a mãe terra, numa cova, muitas das vezes cavada com as próprias mãos.

    Dali ele fazia longas rezas clamando ao Orixá Omulú para que
encaminhasse o espírito de seus irmãos desencarnados para os braços
paternais de Oxalá.

    E assim esse pedaço de terra ficou conhecido como a "Calunga do
Benedito", e com o passar dos anos sendo conhecido como "A Calunga do
Vovô Benedito", e ai a linha após seu desencarne ser da Calunga
Pequena, sendo conhecido dentro dos trabalhos da Umbanda como "Vovô
Benedito da Calunga Pequena".

    Outro fato que chamou muita atenção desse nobre negro escravizado,
era seu amor pelos seus irmãos negros. Por centenas de vezes Benedito,
trocaria de lugar com algum negro açoitado no tronco. Ao perceber que
algum negro estava no tronco pelo motivo que fosse, e esse negro não
mais resistia ser açoitado pelos feitores, Benedito pedia humildemente
que libertassem seu irmão negro, rogando pela sua vida, e em troca
ele, o próprio Benedito, ficaria no tronco para receber o restante do
castigo.

    Quando era aceito a proposta, Benedito sorria a cada açoitada,
mostrando sua fé, e rogando para Oxalá pelos feitores que o
castigavam, pedindo clemência em nome deles, pois eles eram tão
escravos quanto ele.

    E por esse motivo, após tantos açoites e tantos troncos, o velho
Vovô Benedito, ao chegar em incorporação em um Terreiro de Umbanda,
chega de forma extremamente curvada, se apoiando em sua mão direita,
sem poder ficar ereto, mas isso não tira o brilho de seus olhos,
quando ele chega ouvindo a "curimba", ao som dos atabaques, que o
fazem dançar sorridente.

    Vovô Benedito da Calunga, tinha vários dons, entre muitos o de
fazer feliz as pessoas tristes, contador de casos, rezador de crianças
com males físicos e espirituais, quebrador de magias negras,
encaminhador de espíritos sem luz, sabia reconhecer todas as ervas,
para remédios e banhos de descarrego, além de ser o grande cuidador
e protetor das crianças filhos de escravos.

    E com esse jeito carinhoso, amável,, muito brincalhão e
sorridente, Benedito já com uma idade mais madura, certo dia sofreu a
ira do coronel, que nessa época era um afilhado do pai da sinhazinha,
pois o velho coronel foi tomado por males de uma doença crônica e já
não tinha saúde para comandar a fazenda, e também dos feitores, que o
viam não como um ser especial dentro da espiritualidade, mas como um
negro fanfarrão.

    Benedito, já com a grande admiração na qual a Sinhazinha tinha por
ele, toda vez que ele passava por ela, abria um belo e carinhoso
sorriso, e assim deixando além do afilhado do coronel muito
incomodado, uma legião de feitores raivosos.

Com um terno sorriso ela retribuía o largo sorriso dele, além de
elogiar com a frase rotineira: "Ver seu sorriso pelo amanhecer, é
como ver o sol brilhar mesmo coberto por grandes nuvens escuras. Isso
me alegra bastante".

    Ao ouvir isso o afilhado do coronel ameaçou a Benedito, que a
próxima vez que o negro abrisse o sorriso a linda sinhazinha, ele
mandaria arrancar os seus dentes.

    E numa tarde, Benedito encantado pela beleza de sua sinhazinha,
não se conteve e abriu um belo e largo sorriso ao encontro dela, sem
perceber que estava sendo visto ao longe pelo afilhado do coronel e de
seus jagunços, que de imediato o pegaram e o levaram para o tronco,
açoitando e fazendo cumprir a promessa de arrancar todos os dentes de
sua boca.

    Benedito após torturado, humilhado foi deixado no tronco, sendo
após levado a senzala praticamente sem vida para ser tratado pela sua
mãe de coração, a velha Joaquina, que com extremo esforço, centenas de
ervas, chás, banhos, rezas e muita vigília consegue fazer com que
Benedito se recuperasse, até ficar totalmente são.

    Hoje nas casas de Umbanda ele conta essa história, sem
ressentimento, mas muito agradecido a sua velha e amada Chica pelos
cuidados que teve com ele, além de frisar sempre que em sua boca não
há um dente sequer.

    Vovô Benedito, tinha o grande sonho de sair do cativeiro, tentar
esconderijo no tal sonhado e protegido Quilombo do Rei Congo, por
algumas vezes ele tentara a fuga, mas, ao vir a lembrança de que teria
de deixar para trás a sua querida mãe de coração, a velha Joaquina, e
de não mais poder ver o sorriso de sua sinhazinha, ele desistia, e
novamente voltava ao cativeiro.

    E assim Vovô Benedito passou sua vida, sempre com um sorriso nos
lábios, sempre com uma palavra de consolo a seus irmãos negros, sempre
entregando seu corpo para ser açoitado no lugar de um irmão negro que
já não resistia mais o peso da chibata, sempre protegendo uma criança
negra que poderia ser humilhada, maltratada e muitas vezes morta pelas
mãos dos feitores sem piedade.

    Já idoso, Vovô Benedito, sofre uma das suas maiores tristezas, a
perda de sua Mãe de coração, a velha Joaquina, ou a "Velha Chica",
como ele a chamou a vida inteira, por não conseguir  pronunciar o
nome dela, pois nas tentativas o melhor que conseguia pronunciar era
"velha Jucuína", depois de algumas tentativas, veio a desistência, e
como a Velha Joaquina lhe dera o nome de Benedito, ele lhe batiza de
"Velha Chica", como forma de gratidão, ou forma de fugir do nome, que
para ele era tão complicado pronunciar.

    Vovô Benedito desencarnou com a estupenda idade de 120 anos. 120
anos de chibatas, de troncos, de trabalhos forçados, de grandes
humilhações, mas também de 120 anos de carisma, fé, caridade, alegrias
mesmo nos momentos tristes, mesmo nos momentos de saudades, mesmo nos
momentos de dores, tanto do corpo físico quanto da alma.

    Infelizmente desencarnou sem saber o que era a liberdade, pois seu
desencarne foi no ano de 1887, sendo a assinatura da Lei Áurea no ano
seguinte.

    Hoje Vovô Benedito é uma Entidade de Luz, trabalhadora da linda
Umbanda. Um Preto Velho caridoso, amável, mandingueiro, que nos da
toda a atenção necessária, que nos faz ter esperanças, que nos mostra
caminhos, que nos alegra em momentos de desespero, que nos ensina que
a fé em Deus é o caminho.

    E com muita honra e felicidade que eu, Carlos de Ogum, tenho o
prazer de ter essa bondosa e carismática Entidade de Luz em minha coroa para trabalho dentro da linha dos Pretos Velhos, assim como tenho o mesmo prazer de ter Vovô Rei Congo das Almas e Pai Antero da Encruza nessa linha de trabalho, pois com essa corrente desses velhos negros amados fazemos o que mais amamos, usar a Umbanda para espalhar amor e caridade.

Salve todos os Pretos Velhos!

    Adorei as Almas!

    Saravá Vovô Benedito da Calunga Pequena!

    A sua benção e proteção meu Vovô querido!




Carlos de Ogum

História de Rei Congo

Rei Congo é um Preto Velho amado por toda a Umbanda, pela sua humildade e serenidade.

    Ele foi escravo entre o século XVI e o século XVII, e desde sua juventude era um guerreiro, que lutava em prol de seus irmãos africanos que tanto sofriam nas mão de seus Coronéis e Feitores.

    A história diz que Rei Congo, que tinha seu nome de batismo como Octácilio, era um grande rezador e curador de doenças, ficando sendo conhecido entre negros e brancos pelo seus tratamentos das moléstias como a tuberculose, que na época exterminava muitas pessoas sem escolher cor nem raça.

    O negro Octácilio, certa vez após uma das filhas de um Coronel fazendeiro, chamado de "Senhor do café", ficar muito fraca com a famigerada doença assassina, a tuberculose, ficou muito conhecido em toda região pelo tratamento dado a pequena sinhá, através de seus conhecimentos de ervas utilizadas em chás e compressas, sanando assim todo mal estar sofrido por ela e curando-a de vez da tão maléfica doença. Após esse fato Octácilio começou a frequentar outras fazendas da região para, com sua sabedoria ajudar outras pessoas que sofriam além da famigerada tuberculose outros males que afligiam a tão covarde e intolerante classe branca e rica da época.
Com essas viagens de fazenda em fazenda, Octácilio começou a perceber que seus irmãos negros sofriam grandes humilhações e maus tratos dos então feitores que ordenados pelos coronéis, mandavam castigar na chibata e no tronco todos os negros sem que houvesse motivo para tal covardia.

    E foi assim que o jovem Octácilio tomou para si a vontade de lutar contra essas atrocidades, e dia após dia ele tomado por seu desejo de liberdade e também pela grande vontade de livrar seus irmãos das garras covarde de feitores e coronéis, ele decidiu então tentar a fuga, com o objetivo de mais tarde tentar ajudar os outros escravos a fazerem o mesmo.

    Enfim chega a noite da fuga, Octácilio e mais alguns negros, após um dia cansativo na preparação da terra para um novo plantio de café, conseguem fugir do cativeiro após dominarem o feitor e seus jagunços quando já iam acorrentar as portas do senzala.

    Vários negros fugiram, muitos deles foram recapturados e outros mortos, mas Octácilio conseguindo se embrenhar nas matas escuras conseguiu enfim a sua liberdade.

    A partir desse dia, Octácilio com a ideia fixa em tentar libertar seus irmãos escravizados, rogou a Pai Oxalá e a todos os Orixás que lhe mostrassem o caminho para que ele conseguisse o tal feito.
Após vários dias e noites fugindo pelas matas sagradas de Pai Oxossi, ele se depara com uma montanha, que na época era conhecida como "Monte dos Perdidos", essa montanha tinha centenas de caminhos que interligados chegavam a lugar algum, e apenas um caminho levava ao cume da montanha.

    Octácilio por algumas vezes já ouvira falar da lenda do "Monte Perdido", e sabia que o cume dessa montanha seria o lugar ideal para se abrigar e abrigar os negros que ele desejava libertar dos açoites e dos troncos destruidores.

    Em suas orações ele pediu aos Orixás Sagrados que lhe abrissem o caminho, e que ele conseguisse chegar ao cume da montanha sem se perder pelo labirinto que o levaria a morte.

    Foi ai que ele começou sua caminhada rumo a tão assustadora montanha, e sem se dar conta, subia a trilha de maneira tão segura e confiante que sem esperar em poucas horas já estava diante de um grande campo florido com um grandioso lago de águas límpidas. Ele admirado por tanta beleza daquela natureza que lhe foi entregue por Oxalá, ele se ajoelha e agradece pelo presente tão belo.

    E foi nesse belo e protegido lugar que Octácilio começou a sua luta de livrar da escravidão seus irmãos negros, pois ali estava nascendo o Quilombo do Congo" e também o sonho de ali ser o caminho da paz buscada pelos quilombolas.

    Entrando pelas fazendas cafeeiras durante as madrugadas, Octácilio começou a resgatar os negros escravos, levando-os para o Quilombo do Congo, e ali esses negros começaram a plantar, a construir seus lares e constituir família.

    Octtácilio escolhia os negros mais novos, fortes e ágeis, fazendo deles um grupo de guerreiros da mesma causa, ou seja libertar mais e mais escravos, e no primeiro grupo já preparado para ação, o negro Octácilio recebeu o nome de Rei do Quilombo do Congo, e todos a partir desse dia passaram a lhe chamar de "Rei Congo", como é conhecido até hoje nas casas de Umbanda.

    Certa vez, em mais uma das centenas de vezes que Rei Congo tentava buscar a liberdade para os negros escravizados, um certo coronel muito temido dentro da região fez com que seus feitores e centenas de jagunços ficassem de tocaia por vários dias e noites com intuito de capturar o libertador de escravos. E numa noite nebulosa no qual Rei Congo e seus guerreiros estavam prontos para mais uma ação, o velho negro Malaquias, que tinha o dom da vidência, disse ao seu Rei negro que aquela noite ele não deveria levar seus guerreiros, pois muitas mortes poderiam ocorrer, ele deveria ir só, pois apesar de ser muito perigoso seria dessa oportunidade que ele traria um grande aliado nas causas que lutavam.

    Rei Congo com toda sua humildade concordou com o velho Malaquias, e saiu só para essa missão, ao chegar a fazenda em questão, Rei Congo tenta chegar a senzala onde dormiam os negros escravizados. Porém a um certo momento Rei Congo se depara com um dos feitores da fazenda com dezenas de jagunços armados. O feitor o acorrenta em um tronco próximo a senzala, a espera do dia raiar e acatar as ordens do tão famigerado coronel.

    Rei Congo com olhar firme porém sereno, tenta buscar forças nas palavras do velho Malaquias, tentava entender todo o fato, toda a causa do acontecimento. Sabia ele que tudo que acontecera teria uma razão, porém até então não conseguia chegar numa resposta em que aquilo tudo poderia ajudá-lo na luta contra a escravidão.

    O sol raiou, e o feitor que ora tinha acorrentado Rei Congo, tinha um semblante cansado, parecia amargurado. Ele manda um dos seus jagunços levarem a notícia da captura do libertador de escravos ao coronel, que logo vem com as ordens de açoitarem o negro libertador até a morte, e que levassem o corpo dele a té ele, para junto a outros coronéis fazendeiros comemorassem a morte do tão temido Rei Congo.

    E foi dada a missão ao feitor de levar a morte a Rei  Congo por meio da chibata. E ele, o feitor, já preparado para o começo da tortura daquele corpo preso ao tronco de madeira por meio de correntes de aço, quando olha nos olhos de Rei Congo e diz se ele era o tal negro curador de doenças tão conhecido dentro da região por ter curado muitas pessoas da tão medonha doença, que na época era a tuberculose. Rei Congo, ainda com olhar sereno apenas balançou a cabeça afirmativamente. Então o feitor o livra das correntes e  se jogando aos pés de Rei Congo pede a ele para salvar a sua amada que se encontrava tísica, ela estava extremamente enfraquecida e sem nenhuma chance de sobreviver. Rei Congo estendendo a mão ao feitor, lhe pergunta se ele tinha fé, ele responde que sim, então Rei Congo diz que ele ia libertar sim a doce jovem dos males da tuberculose.

    O feitor, sabendo que teria que entregar o corpo de Rei Congo para os coronéis, resolveu então libertá-lo e seguir com ele e sua amada para o Quilombo do Congo. E assim foi feito, nesse mesmo dia saíram fugidos da fazenda rumo ao Monte dos Perdidos, e mesmo durante a viagem Rei Congo fazia seus chás e compressas para o tratamento da jovem Rosa, que dia após dia ia recuperando sua saúde. E ao chegarem a seu destino, com cuidados mais especiais, com o tratamento vindo das ervas e compressas sagradas do velho Congo, Rosa se recuperou totalmente, e em agradecimento o feitor, que tinha o nome de Amadeu, jurou lealdade a Rei Congo, que se transformou em um dos grandes guerreiros libertadores do Quilombo de Rei Congo.

    Apenas os guerreiros de Rei Congo sabiam o caminho correto para chegar ao "Monte dos Perdidos" que já estava sendo conhecido em toda a região como "Quilombo de Rei Congo". Como a quantidade desses guerreiros ainda era baixa, não davam conta de libertarem tantos escravos como era da vontade de Rei Congo, pois as viagens de ida e volta as fazendas eram longas, cansativas e perigosas, ele decidiu então montar pequenos quilombos que servissem de esconderijo para os quilombolas próximo ao quilombo principal, tentando assim conseguir um pouco mais de tempo para aumentar as ações contra a escravidão nas fazendas. Isso infelizmente durou pouco, pois mesmo em matas fechadas esses pequenos quilombos foram descobertos pelos Feitores e seus capatazes, ou pelos Capitães do mato contratados pelos coronéis fazendeiros que estavam a busca de seus escravos.

    Rei Congo então decidiu que mesmo com a demora das viagens e a dificuldade da subida ao "Monte dos Perdidos", seria melhor que os negros libertados fossem levados diretamente para um lugar seguro ao invés de acamparem nos pequenos quilombos a espera de alcançarem um número maior de quilombolas.

    E assim foi feito por longos anos, Rei Congo e seus guerreiros libertavam os seus irmãos escravizados, os levavam para o Quilombo, e lá eles plantavam, criavam animais, constituíram laços, cultuavam seus Orixás, viviam em paz e em liberdade.

    Muitos coronéis por anos tentaram alcançar o tão conhecido e guardado Quilombo de Rei Congo, muitos feitores, capatazes e Capitães do mato perderam suas vidas tentando decifrar o caminho correto que levava ao cume da montanha, mas nenhum desses tiveram êxito em seus
objetivos, pois ali além de ter grandes guerreiros que protegiam a entrada e o caminho do quilombo, tinha um Rei, um Rei protegido pelos Orixás, principalmente por pai Oxalá no qual o velho Rei Congo agradeceu por toda sua vida a luz dada para que ele encontrasse o caminho para sua libertação e a de centenas de irmãos negros.

    No final do século XVII, Rei Congo fez sua passagem para o mundo dos espíritos já com 90 anos de idade no corpo físico, e sendo agraciado por pai Oxalá a benção de poder vir a terra como Entidade de Luz para continuar libertando as pessoas da escravidão, porém com um trabalho ainda mais árduo, pois essa escravidão não são nas correntes de aço frio, mas da escravidão da inveja que consome a alma, da falta de humildade que magoa o espírito, do orgulho que destrói o perdão, da soberba que esmaga o ser, da falta de amor que escurece o caminho e principalmente da falta de fé que lhe desvia da evolução espiritual.


    Rei Congo preto velho calmo e sereno, humilde mas soberano, tem sempre  a palavra certa na hora certa, tem ensinamentos certos pros momentos certos. Com sua voz mansa e seu jeito peculiar de se sentar, ele é reconhecido por toda a Umbanda, e todos que já tiveram a oportunidade de poder ouvir seus conselhos em seu tom de voz sereno,, pode se considerar um abençoado por pai Oxalá..

    Rei Congo meu mentor, meu Vovô eterno, minha luz num caminho escuro, a ti peço a benção e proteção.

    Saravá Vovô Rei Congo, Adorei as Almas.


Carlos de Ogum

Baiana do Balaio


Nas giras eles se apresentam com forte traço regionalista, com sotaque característico. Gostam de conversar e contar causos, mas também dão broncas.
São “do tipo que não levam desaforo pra casa”, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversam bastante, falam baixo e manso, são carinhosos e passam segurança ao consulente.

Entre os nomes mais populares de baianos estão:

 
Severino da Bahia, Zé do Coco, Zé da Lua, Simão do Bonfim, João do Coqueiro, Maria das Graças, Maria das Candeias, Sete Ponteiros, Mané Baiano, Zé do Berimbau, Maria do Alto Do Morro, Zé do Trilho Verde, Maria do Balaio, Maria Baiana, Maria dos Remédios e Zé do Prado.
Alguns dos baianos supostamente foram cangaceiros do bando de Lampião, associados no imaginário popular à luta contra as injustiças sociais. Incluem, além do próprio Lampião, Corisco, Maria Bonita, Jacinto, Raimundo, Cabeleira, Zé do Sertão, Sinhô Pereira, Chumbinho e Sabino.
Têm sido associados aos baianos também os “malandros”, inspirados no tipo tradicional do malandro carioca, possivelmente as entidades mais ambivalentes da Umbanda, visto aparecerem também como exus. O mais conhecido é Zé Pelintra, ao qual se associam Zé Navalha, Sete-Facadas, Zé-da-Madrugada, Sete-Navalhadas, Zé da Lapa e Nego da Lapa, entre outros.

Baianos

Saudação:  É da Bahia, meu Pai!
O Baiano representa a força do fragilizado, o que sofreu e aprendeu na “escola da vida” e, portanto, pode ajudar as pessoas. O reconhecido caráter de bravura e irreverência do nordestino migrante,  parece ser  responsável  pelo fato de   os baianos terem se tornado uma entidade de grande freqüência e importância nas giras de todo o país, nos últimos anos.

Os baianos da Umbanda são pouco presentes na literatura umbandista. Povo de fácil relacionamento, comumente aparece em giras de Caboclos e pretos velhos, sua fala é mais fácil de se entender que a fala dos caboclos. Conhecem de tudo um pouco, inclusive a Quimbanda, por isso podem trabalhar tanto na direita desfazendo feitiços, quanto na esquerda.


Quando se referem aos Exús usam o termo “Meu Cumpadre”, com quem tem grande afinidade e proximidade, costumam trazer recados do povo da rua, alguns costumam adentrar na Tronqueira para algum “trabalho”.
Enfrentam os invasores (kiumbas, obsessores) de frente, chamando para si toda a carga com falas do gênero “venha me enfrentar, vamos vê se tu pode comigo”.
Buscam sempre o encaminhamento e doutrina, mas quando o zombeteiro não aceita e insiste em perturbar algum médium ou consulente, então o Baiano se encarrega de “amarrá-lo” para que não mais perturbe ou até o dia que tenha se redimido e queira realmente ser ajudado.
Costumam dizer que se estão ali “trabalhando” é porque não foram santos em seu tempo na terra, e também estão ali para passarem um pouco do que sabem e principalmente aprenderem com o povo da terra. São amigos e gostam de conversar e contar causos, mas também sabem dar broncas quando vêem alguma coisa errada.
Nas giras eles se apresentam com forte traço regionalista, principalmente em seu modo de falar cantado, diferente, eles são “do tipo que não levam desaforo pra casa”, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente, são carinhosos e passam segurança ao consulente que tem fé.
Os Baianos na Umbanda são “doutrinados”, se assim podemos dizer, apresentando um comportamento comedido, não xingam, nem provocam ninguém. Os trabalhos com a corrente dos Baianos, trazem muita paz, passando perseverança, para vencermos as dificuldades de nossa jornada terrena.
A Entidade pode vir na linha de Baianos e não ser necessariamente da Bahia, da mesma forma que na linha das crianças nem todas as entidades são realmente crianças.
Os Baianos são das mais humanas entidades dentro do terreiro, por falar e sentir a maioria dos sentimentos dos seus consulentes. Talvez por sua forma fervorosa de se apresentar em seus trabalhados no terreiro, aparentem ser uma das entidades, mais fortes ou dotadas de grande energia (e na verdade são), mas na umbanda não existe o mais forte ou fraco são todos iguais, só a forma do trabalho é que muda. Adoram trabalhar com outras entidades como Erês, Caboclos, Marinheiros, Exús, etc.
São grande admiradores da disciplina e organização dos trabalhos. São consoladores por natureza e adoram dar a disciplina de forma brusca e direta diferente de qualquer entidade.

Características dos Baianos

Comidas:  Coco, cocada, farofa com carne seca.
Bebem:  Água de coco, cachaça, batida de coco.
Fumam:  Cigarro de palha.
Trabalham:  Desmanchando trabalhos de magia negra, dando passes, etc,. São portadores de fortes orações e rezas.
Alguns trabalham benzendo com água e dendê.
Cor: laranja ou qual for definida pela entidade
Apresentação: Usam chapéu de palha ou de couro e falam com sotaque característico nordestino. geralmente usam roupas de couro.
Nomes de Alguns Baianos: Severino, Zé do Coco, Sete Ponteiros, Mané Baiano, Zé do Berimbau, Maria do Alto do Morro, Zé do Trilho Verde, Maria Bonita, Gentilero, Maria do Balaio, Maria Baiana, Maria dos Remédios, Zé do Prado, Chiquinho Cangaceiro, Zé Pelintra (que trabalham também na linha de Malandros).
Na linha dos baianos usam sempre muita mandinga para ajudar os zeladores da casa e os médiuns que respeitem o seu terreiro fazem e não são espalhafatosos, é aí, que aqueles médiuns que se acham os donos da verdade e acham que o terreiro foi feito pra eles, se dão mal.
Me admiro muito das pessoas que dizem que tem tanto tempo no santo e pouco conhecem essa linha que trabalham com muitas ligações com os “compadres”, é como eles chamam os “ Exús”.
Os que pensam que são muitos espertos saem do terreiro sem entender nada e nem reparam que os baianos os afastam sem maior problemas e ainda fazem que eles levem os seus piores pensamentos e seus orgulhos.
Salve! o povo baiano, salve! Zé do Coco.
Linha dos Baianos
A Linha dos Baianos é formada por Espíritos alegres, brincalhões e descontraídos. Gostam muito de desmanchar demandas. São conselheiros e orientadores e gostam muito dos rituais em que trabalham, girando e dançando com passos próprios.
Agradecem às festas que lhe são oferecidas; bebem batida de coco e comem comidas típicas da cozinha baiana.
O Povo Baiano vem ao Terreiro para trazer seu Axé, sua Energia Positiva. A gira é sempre muito animada. São Entidades que tem muito a nos ensinar, sempre com uma resposta certeira e rápida para nossas questões.
Com seus cocos  azeite de dendê, comidas e cantigas típicas da região, realizam trabalhos em prol da evolução espiritual de todos. Por terem vivido em épocas mais recentes, são Espíritos mais próximos de nós.

Baiana Sete Saias


A Baiana Sete Saias nasceu no norte da Bahia num vilarejo chamado Pilão Furado. Era de uma família muito pobre, até que um dia sua mãe, Baiana Dolores, vendeu sua filha para uma dona de cabaré, Dona Carlita, por alguns fardos de arroz, feijão, camarão seco e banha de porco, para alimentar seus outros filhos, Maria Baiana Sete Saias, Maria Saias, Zé Sete Facão, Baiana Sete Coco. 
Sua mãe chorava muito, pois Sete Saias era a mais velha dos filhos a quem ajudava muito nos trabalhos do lar e na pesca de camarão. Ela se despediu da família e foi morar com a dona do cabaré Carlita. 
Sete Saias conta que não era mulher de cabaré, mas sim ajudava a dona Carlita na cozinha, e com os fregueses. Fazia muitas comidas como bobó, acarajé, vatapá, e outras iguarias, até que certo dia um rapaz moreno claro, olhos castanhos, cabelos cacheados e muito belo , começou a frequentar o cabaré. 
Quando Baiana Sete Saias avistou ele, foi paixão na certa, ela nunca tinha namorado. A dona do cabaré tinha muito ciúmes dela com os clientes, por ela ser muito bonita, morena com cabelos até as costas, olhos castanhos claros, sábia, educada, recatada e não aceitava nem um namoro da baiana, mas eles foram se vendo cada vês mais. Ele muito apaixonado pediu sua mão em namoro para dona Carlita. Ela disse não “nem pensar tu tá doido cabra da peste” e proibiu Baiana Sete Saias, de servir o belo rapaz apaixonado. 
Eles não se aguentavam mais de saudades quando marcaram um encontro através de sua amiga Baiana Flor. Ela escreveu um bilhete para Baiana Sete Saias e entregou ao rapaz ela disse “meu amor não consigo ficar sem você quero fugir, vamos?” Então ele respondeu “vamos amorzinho hoje de madrugada”. Naquela noite ela se deitou para dormir, mas não dormiu então quando todos foram dormir sua amiga disse: “vamos, seu amor te espera”, Baiana Sete Saias saiu rapidamente. Lá fora com um burro na carroça esperava seu amor João do Cangaço, eles saíram em disparada com o burro, mas depois de mais ou menos 30 quilômetros, dona Carlita veio atrás de cavalo correndo em disparada chamando Baiana Sete Saias aos gritos. Ela olhava para trás e dizia “vamos ela esta perto de nós vamos, vamos!” 
Em desespero eles não viram um brejo muito fundo e caíram lá. Num piscar de olhos suas vidas se foram por amor, sua dona Carlita chegou até o brejo e não avistou nada. Gritava, chorava e dizia “agora eu te dou sua liberdade”. 
Baiana Sete Saias morreu com 27 anos, virgem. 
Hoje, na Umbanda em evolução fazer a caridade entre o bem e o mal. 
Seus filhos geralmente tem medo de acidente na estrada sem saber o porquê deste medo. 
 
Ponto de Baiana Sete Saias
 
Maria baiana tem sete saias,
Para trabalhar na Umbanda.
No meio das sete saias,
Tem uma que tem mironga.
Baiana faz e não manda,
Não tem medo de demanda,
Baiana feiticeira,
Filha de Nagô,
Trabalha com pó de pemba,
Pra ajudar Babalaô.
Baiana sim,
Baiana vem,
Quebra a mandinga com dendê.

sábado, 14 de setembro de 2019

Baiana (vestuário)

Roupa de ração[editar | editar código-fonte]

filhas de santo no Terreiro Opo Afonjá.
Roupa de ração é a roupa usada diariamente em uma casa de Candomblé. São roupas simples feitas de morim ou cretone.
As roupas de ração podem ser coloridas ou brancas, dependendo da ocasião na roça de candomblé. Compõem o jogo: saia (axó) de pouca roda para facilitar a movimentação, singuê (espécie de faixa amarrada nos seios que substitui o sutian), camisu ou camisa de mulata, geralmente branco e enfeitado com rendas e bordados, calçolão (espécie de bermuda amarrada por cordão na cintura, um pouco larga para facilitar a movimentação e proteger o corpo em casos que se é necessário sentar no chão), pano da costa e o ojá, um pano que se amarra à cabeça.
O axó tem uma representação muito grande no Jeje. A roupa fala de um simbolismo muito especial, que além de ético e moral, os axós dão para as mulheres posição e postura. É bonito se notar a forma e a reverência que estas roupas expressam em sua aparência e jeito: respeito acima de tudo! As mulheres de jeje, especialmente o mahin, quanto a composição de singuê, de xokotô (espécie de calça, também chamado "cauçulu"), saia, e camisu, compõem seu axó.

Vestuário das Iyalorixás[editar | editar código-fonte]

Saia de brocado de Mãe Menininha.
Saia de brocado de Mãe Stella de Oxóssi.
O vestuário de uma Iyalorixá é diferente das roupas usadas pelas equédis e iaôs, é caracterizada pelo uso da "Bata" que é usada por fora da saia com o camisu por baixo, nas casas tradicionais somente a Iyalorixá pode usar, se ela permitir suas filhas egbomis podem usar também, mas nunca permitirá o uso da Bata por uma equédi, iaô ou abian.
A Bata é símbolo de cargo ou posto dentro da Hierarquia do candomblé. O pano da costa dobrado sobre o ombro também tem sua representação, é um símbolo de cargo pois as iaôs o usam amarrado no peito, as egbomis na cintura e Iyalorixás no ombro.
Normalmente, saias e Batas de bordado richelieu (como a usada por mãe Stella) também só são usadas pelas Iyalorixás, assim como o pano da costa de Alaká africano.
Os turbantes também chamados de torço ou ojá, usados na cabeça normalmente são maiores e mais ornamentados, assim como determinados fio-de-contas não podem ser usados por pessoas que não tem cargo, o (fio de ouro)[1] por exemplo só pode ser usado por Iyalorixás com mais de 50 anos de Santo, símbolo de senioridade (como o usado por mãe Menininha).
Mãe Tatá na foto aparece com o pano da costa na cintura, também pode, porque antes de ser uma Iyalorixá ela é uma egbomi, ao passo que as equédis estão vestidas com roupas mais simples.
Além do simbolismo do vestuário, existem muitos objetos que podem ser caracterizados e usados somente por Iyalorixás e Babalorixás, o anel de ouro com um búzio incrustado é um deles. O brinco de ouro com búzio antes também exclusivo das iyalorixás tornou-se de uso comum, sendo usado até por pessoas que não fazem parte da religião.
Na nação Jeje o uso do Humgebê só é permitido a quem já fez a obrigação de sete anos, ou melhor, é quando a pessoa recebe o hungebê que passa a ser um vodunsi.
Outra característica do vestuário é o uso do Ojá na cabeça, no Candomblé Jeje quem é de santo aboró usa o ojá com uma aba, e quem é de santa Iyabá ou Aiabá usa duas abas (como mãe Tatá na foto por ser de Oxum), nas outras nações algumas pessoas adotam esse uso.[2]

Baiana do Acarajé[editar | editar código-fonte]

Baiana do acarajé Farol da Barra, 1976, Salvador.
A baiana do acarajé[3] (ou simplesmente baiana) é como são chamadas as mulheres que se dedicam à profissão de vendedora de acarajé e outras iguarias das culinárias africana e baiana. Na maioria da vezes são filhas ou mães de santo do candomblé que adotaram essa profissão autônoma principalmente por não ter um vínculo com patrão ou empresa. Isso se dá em virtude das obrigações do candomblé muitas vezes requererem sua presença por períodos variáveis de dias podendo chegar a um mês, e se tivesse um patrão seria quase inviável. Mulheres batalhadoras que com muita luta conseguiram a regularização da profissão junto aos poderes públicos. Uma das principais figuras típicas do Brasil, chega a ser uma caracterização obrigatória nas Escolas de Samba do país.
Sua roupa também é de baiana, pode ser uma roupa simples com saia sem roda, bata, ojá na cabeça e os tradicionais fio-de-contas, ou mais sofisticada com todos os adereços como usam as baianas de eventos turísticos.

Baiana de eventos turísticos[editar | editar código-fonte]

Baianas tipicamente vestidas no Terreiro de Jesus, Salvador, Bahia.
A indumentária típica das baianas constitui-se no marco característico da mulher afro-descendente da Bahia, que mantém vivas suas raízes históricas; como tal ela é representada em diversos eventos turísticos típicos, folclóricos, muitas vezes contratadas por empresas, em toda a Bahia e até fora dela. São de cores alegres, usam Batas de renda ou richelieu, e o turbantes ou torços são bem grandes e trabalhados, são independentes da hierarquia do candomblé, não precisa ser uma iyalorixá para usar Bata, todas usam.
Um bom exemplo encontra-se na festa da Lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, ou nas Escolas de Samba, que obrigatoriamente têm uma Ala das baianas.

Baiana da escola de samba[editar | editar código-fonte]

Ala das baianas da Escola Imperatriz Leopoldinense 2008
A roupa clássica da ala das baianas de uma escola de samba compõe-se de torso, bata, pano da costa e saia rodada. Entretanto, a inventividade dos carnavalescos não tem limites e freqüentemente podemos ver baianas com as mais inusitadas fantasias, tais como noivas, estátuas da liberdade, seres espaciais, globo terrestre (foto) ou poços de petróleo. A confecção dessas roupas tornou-se uma indústria do carnaval que é uma das maiores fontes de emprego tanto para os componentes das escolas como para os profissionais contratados pelas escolas que tem emprego garantido durante o ano todo.