domingo, 4 de dezembro de 2016

Pai Joaquim de Angola


"Mas que nego é esse, que vem chegando agora?
É Pai Joaquim, que vem lá de Angola!"

O Pai Joaquim deste Templo de Umbanda, nasceu na Senzala de Pernambuco, no ano de 1623. Foi um dos primeiros escravos a nascer em solo brasileiro e recebeu o nome de Joaquim José (em homenagem ao avô e ao pai de Jesus - que ele nem sabia quem era). Conheceu um dos primeiros líderes do Quilombo dos Palmares: Ganga Zumba, que morreu envenenado por seus opositores quilombolas. Em seguida, assumiu Zumbi, que se tornou um dos líderes mais conhecidos, porque não aceitava negociações com o governo. Palmares foi praticamente destruída em 1694. Zumbi dos Palmares foi morto degolado em 20 de novembro de 1695 por bandeirantes. (Atualmente comemora-se o Dia da Consciência Negra nessa data.)
Pai Joaquim, por viver nessa região, presenciou todos os massacres, tentou fugir algumas vezes e foi apanhado. Era amigo de Zumbi e admirava-o. Levou muitas chibatadas amarrado ao tronco. Quando não aguentou mais apanhar, desistiu de fugir. A pedido de sua mãe: "Nhá Ana" se conformou e aceitou seu jugo de escravo. Disse-lhe ela: "Meu filho, prefiro-o vivo perto de mim, do que morto e longe". Então ele ficou. Acabou morrendo antes da mãe e de seu amigo Zumbi, de febre e inflamação nos pulmões, no ano de 1687. Nhá Ana morreu em seguida, aos 96 anos.
Pai Joaquim disse que os negros que sobreviviam aos porões dos navios e às chibatas, tornavam-se fortes e resistentes e por isso viviam muito. Os Senhores Feudais os alimentavam de sobras dos animais (patas, orelhas, tripas, etc), mas eram justamente as partes com maior quantidade de proteínas. Eles também sabiam curar suas feridas com ervas e unguentos diversos. Nhá Ana tornou-se babá dos sinhozinhos da fazenda e era respeitada por eles. Joaquim conformou-se em ficar, tornou-se um líder dentro da fazenda, dirigindo os demais escravos e até ajudando-os a fugir para o Quilombo.
Quando morreu, estava em paz consigo e com sua consciência e tornou-se um mensageiro espiritual dos irmãos africanos. Atuou nas senzalas do Brasil junto ao povo de descendência yorubá (Jêje, Nagô, Ketu e Angola), aconselhando os escravos a não usarem seus conhecimentos ancestrais para a magia negra e para a vingança. Hoje atua na Umbanda servindo como "Guia Espiritual" na Falange dos pretos-velhos de Angola, porque sua mãe foi trazida para o Brasil da região do Congo-Angola na África.

Pai Cipriano das Almas


O feiticeiro do terreiro!

Esse mestiço africano, nasceu no Brasil Colônia, do amor entre um escravo e uma sinhazinha. Sua mãe o entregou aos cuidados de seu pai assim que ele nasceu e foi criado por sua avó paterna. Nunca descobriram de quem ele era filho, por isso seu pai nunca pagou por esse crime de amor. Tudo foi feito no mais absoluto sigilo pelos administradores da fazenda, enquanto os pais da moça viajavam pela Europa. Ao retornarem, nada desconfiaram e como a sinhazinha estava prometida em casamento, todo o restante foi realizado conforme combinado. A moça mudou-se para a Europa e nunca mais retornou ao Brasil, provavelmente para não ver seu próprio filho entregue à escravidão. O menino, de olhos verdes, recebeu o nome de Etelvino e cresceu em meio aos seus irmãos de descendência africana; mas conviveu com os sinhozinhos da fazenda, por ser um menino inteligente e perspicaz. Aprendeu os costumes de uns e de outros.
Ao crescer, descobriu sua origem verdadeira e revoltou-se; quis vingança. Seu pai o aconselhou, mas de nada adiantou. Usou conhecimentos ancestrais de sua linhagem paterna e seus dons para a mandinga em magia negra. Era exímio no que fazia. Sabia curar, mas também sabia a arte de matar. Conhecia tudo o que se podia conhecer sobre a magia, dos negros e dos brancos. E seus dons científicos de outras vidas lhe davam conhecimento suficiente sobre qualquer tema. Queria ter sido criado entre os brancos, não entendia a discriminação. Revoltou-se mais ainda ao descobrir quem era sua mãe de verdade e porque ela o abandonou... Tornou-se um carrasco sem leis para os brancos e para os negros. Aos inimigos de sua causa dedicava especial atenção; aos amigos causava temor. Viveu assim quase toda a sua vida. Desposou três negras da senzala que lhe serviam com fidelidade. Teve sete filhos e os ensinou a magia, a artimanha e a fugir... Não queria filhos escravos.
Etelvino viveu na região "das Minas Gerais" (em Ouro Preto) até os 98 anos. Ao final de sua vida fez amizade com um Frei Capuchinho (Lázaro), amigo de José de Anchieta e devoto de Nossa Senhora. Esse frei lhe falou de Jesus, Maria, São Lázaro e da conversão de Cipriano. Achou a história de Cipriano muito parecida com a sua (claro, sem a escravidão). Também sentiu que Jesus parecia o Orixá Oxalá e que Maria paracia sua Mãe Iemanjá. Em São Lázaro sentiu a afinidade com Obaluaiê, seu Orixá protetor. E decidiu, por fim, deixou a magia negra de lado e começou a praticar a cura, a oração e o benzimento. Fez isso a partir dos 70 anos até morrer.
Nunca conheceu sua mãe biológica. Mas teve em seu pai e sua avó todo o amor necessário para evoluir. Deixou a revolta de lado e pediu perdão aos deuses africanos e aos deuses católicos. Quando desencarnou, foi recolhido em Aruanda e convidado a trabalhar na Falange dos pretos-velhos como "Pai Cipriano". Seria reponsável por recolher todas as almas dos escravos revoltados e feiticeiros como ele. Após recolhidos, devia aconselhá-los e encaminhá-los. Assim o fez. Hoje, trabalha com amor e dedicação. Compreendeu que perante Deus (Olorum - Zambi) todos somos irmãos e que, para evoluir, precisamos aceitar nossas dívidas de vidas passadas.
 

Vovó Cambinda


De Aruanda, de Angola, das Almas, da Guiné... de todos os lugares!

Uma entidade que conversa bastante, com voz calma e mansa, caminha bem arcada e lentamente, apresenta-se em trajes humildes e dá bronca como toda boa velha Iyabá - esta é Vó Cambinda de todas as nações! Gosta de puxar a orelha de seus filhos! Enxerga muito pouco e obriga o médium a piscar várias vezes na consulta. Ri muito, faz seu fumego e gosta de contar "causos" do tempo da escravidão. Conhece muita coisa da vida!
Vovó Cambinda trabalha em diversas falanges, com diversas denominações. Cada uma possui suas particularidades e suas histórias, mas todas possuem, em comum, os trejeitos e as manias que definiram muito bem seu aspecto e sua apresentação nas Tendas de Umbanda. Ela é especialista em solucionar problemas de ordem pessoal, com conselhos que caem como uma luva em seus filhos! Ela é uma entidade que não deixou de ser "babá" de seus sinhozinhos e da molecada da senzala.
Cambinda representa esse apanhado de negras que trabalharam nas Casas de Engenho cuidando da gurizada e da comida que era servida ao senhores feudais. Sábias, recatadas, zelosas, amororosas, pacenciosas e abnegadas. Sem mágoas em seu coração. Sempre aconselharam o amor ao próximo.
Quem possui em sua Tenda uma "Vó Cambinda" zele dela com amor e respeito, porque ela trabalha com dedicação, mas é exigente com seus filhos. Ela é "nega de uma palavra só e quando diz que não quer mais e não faz, nega véia não faz!" - palavras de Vovó Cambinda.

"Cambinda mamãe ê, Cambinda mamãe a...
Cambinda mamãe ê, Cambinda mamãe a...
Segura essa filha que eu quero ver...
Filha de Umbanda não tem querer!"
 

Vovó Maria Conga e Pai José de Angola


"Vó Maria, cadê Pai José? Está na roça colhendo café...
Diga a ele que quando vier suba a escada e não bata com o pé."

Essa negra nasceu em 1728 na África, na região do Congo. Foi trazida ao Brasil ainda menina, retirada cedo de sua tribo. Não sabia nada da vida e do mundo lá fora. Foi vendida no Mercado de Negros do Rio de Janeiro para uma Fazenda de Café em Minas Gerais, quase divisa com o estado de São Paulo. Nunca mais viu ou ouviu falar de sua família. Foi separada deles na hora da captura.
Obrigou-se a aprender a língua dos brancos e a esquecer os costumes de sua terra... Era calada e arredia. Foi adotada pelo amor de uma negra da senzala que também perdeu seus filhos para o homem branco e teve amor e piedade pela negrinha. Ela deu-lhe o nome de Maria, pois sabia da história da mãe de Jesus e como ela sofreu por ter sido separada do filho. Ninguém nunca soube seu nome na África - Maria nunca contou.
Dez anos após sua chegada ao Brasil já entendia mais da vida dos negros escravos da senzala e da vida dos brancos nas fazendas. Compreendeu o que era a escravidão. Tornou-se uma moça bonita e prendada. Recebia olhares dos capatazes e dos homens brancos. Estava com 17 anos. Decidiu que não queria essa vida e pensou em uma maneira de escapar... Conheceu José, moço forte e destemido e tramaram a fuga. Em uma noite encontraram-se com outros negros e fugiram, mas foram capturados, castigados, separados e vendidos. Maria foi para outra fazenda, no estado de Sergipe. E José foi levado ao Rio Grande do Sul. Pensaram que nunca mais se encontrariam e juraram que um dia tentariam ficar juntos de novo.
Passaram-se vinte anos e Maria era agora casada com um dos capatazes da fazenda. Tinha 4 filhos: 3 homens e 1 menina. Nessa fazenda, pelo menos, os escravos eram tratados com menos dureza. Maria apaziguou seu coração e seguiu trabalhando com amor e dedicação. Tornou-se a cozinheira da fazenda e ganhou a confiança dos donos. Lembrava-se de José, mas não o viu mais e não sabia de seu paradeiro.
No sul, José foi trabalhar em uma fazenda de gado leiteiro... Era uma região diferente. Havia o frio e os costumes eram outros. Tentou se acostumar, mas não conseguiu. Sempre pensou em fugir. Lembrava de Maria. Após 10 anos de duros trabalhos, José enfim conseguiu escapar e iniciou sua jornada em busca de sua amada. Passou de fazenda em fazenda e foi seguindo em direção ao nordeste brasileiro... Quando estava quase desistindo de sua busca ouviu falar de uma negra bonita que cozinhava para uma fazenda nos arredores de Pernambuco.
Quando, enfim, encontrou a fazenda onde Maria estava, viu-a casada e com filhos. Entristeceu-se. Nem se dera conta que haviam se passados vinte anos! Foi viver como homem de escolta e jagunço na cidade de Maceió, em Alagoas. Teve muitas mulheres, mas com nenhuma se casou. Era um negro bonito, porém solitário. Com o dinheiro que ganhou, comprou um pedaço de terra com dois amigos mestiços. Eles plantavam e criavam alguns animais. Cada qual em seu pedaço de terra construiu uma casa. Os outros eram casados, mas José vivia sozinho.
Um dia, a fazenda onde Maria trabalhava foi vendida e todos os negros foram alforriados. Ela estava viúva e seus filhos haviam conseguido emprego em Maceió. A cidade estava crescendo e aceitava negros para trabalhar. Ela foi morar com um dos filhos.
Quis o destino que José e Maria se reencontrassem em uma feira de produtos na cidade. Os dois a princípio se esbarraram e não se reconheceram, mas em seguida se olharam e sentiram que o destino os havia reunido novamente.
Maria e José se casaram e ela foi viver com ele em seu sítio. Viveram ainda 50 anos juntos. Durante a noite conversavam na varanda da casa. Descobriram que suas tribos eram vizinhas na África e que o dialeto que falavam era similar. Perceberam que estiveram próximos muitas vezes...
Enquanto viveram juntos preocuparam-se em ajudar as crianças sofridas e perdidas pela escravidão. Também acolhiam em suas terras negros feridos e mal alimentados. Davam abrigo e os ajudavam a se recuperar. Por esses atos de amor eram muitas vezes ameaçados pelos fazendeiros da redondeza, mas como tinham a carta de alforria e a proteção de alguns brancos, não sofriam maiores danos.
Assim, eles cumpriram uma missão de vida no Brasil que deu sentido ao fato de terem sido retirados de sua terra africana. Hoje, esses dois falangeiros abnegados são gentis e amorosos com as crianças e com todos que os procuram. Possuem sua história de vida como exemplo para relatar.

A missão dos baianos na Umbanda


"Salve o Grande Cruzeiro da Bahia, Meu Pai!
E salve o Nosso Senhor do Bonfim!"

Os portugueses adentraram o Brasil pelas terras da Bahia, na época denominada de Ilha de Vera Cruz. Pensaram que aqui fosse uma ilha e somente depois viram a imensidão deste território. Na época, entraram no Brasil todos os excluídos de Portugal e da Europa, para trabalhar e começar sua vida. Depois vieram os negros, que após índios, também foram escravizados. E assim, o Brasil cresceu cheio de misturas. Os baianos representam essa miscelânea de conhecimentos e a miscigenação das raças. Eles podem atuar em qualquer Linha: de Oxalá, das Águas, de Ogun, de Xangô, de Oxóssi, de Nanã ou das Almas.
O Baiano é aquela entidade que traz alegria para o terreiro e descarrega as cargas negativas e pesadas de um trabalho. Costuma-se dizer que todo Baiano é mandigueiro! Pois o Baiano sabe desenrolar-se de qualquer situação. No começo da difusão da Umbanda houve um pouco de preconceito com essas entidades, pelo fato delas representarem o principal elo de ligação com a Santeria Iorubana. A Santeria era muito confundida com o Candomblé e o Tambor de Mina. Hoje, sabe-se que todas são religiões distintas, onde cada uma possui seu próprio ritual e características bem definidas.
O Baiano, também é uma entidade que possui ligação direta com Ifá (sincretizado com a Santíssima Trindade e Dono do Jogo de Búzios). Por isso, muitos médiuns que trabalham com os baianos sentem-se afinizados com o búzio e seus mistérios. Outra prática do baiano é o Jogo da Capoeira (chamado assim, porque a capoeira, quando surgiu, não era usada como luta ou defesa, apenas como jogo de roda entre os escravos). Trabalhar com um "Baiano" é trabalhar com um pedaço da história do Brasil!

Pai João do Toco


O Preto-Velho das Almas!

Nascido na Fazenda Boa Esperança no norte de Minas Gerais, Pai João tornou-se conhecido durante o Ciclo do Ouro por habitar uma Fazenda Fantasma, onde ninguém queria morar. Nascido em 1730, foi escravo durante a metade de sua vida. A Fazenda onde ele trabalhava foi vendida e seus novos donos não queriam escravos. Alforriaram todos e contrataram aqueles que quisessem permanecer ganhando uma moeda e comida. Quem tinha família permaneceu na fazenda... Como ele nada tinha, resolveu partir, mas não tinha lugar onde morar. Então lembrou-se de uma fazenda abandonada na cidade vizinha e resolver ir para lá. Tinha ouvido muitas histórias a respeito do lugar e ninguém se aventurava por aquelas terras, pois eram habitadas por fantasmas de escravos enraivecidos e mineradores perdidos.
Ao chegar na fazenda descobriu o que estava acontecendo com os espíritos e resolveu apaziguá-los. Conversou e estabeleceu uma trégua com eles. Assim, pode estabelecer sua morada e viver em paz. Sua avó, por parte de mãe, havia lhe dado esse dom, que veio de seus ancestrais africanos: o de falar com os mortos. E ele ainda sabia benzer e curar. Durante o restante de sua vida tornou-se morador efetivo da fazendo e ninguém nunca lhe perturbou, pois os vivos (proprietários da fazenda) moravam em Portugal e os mortos lhe respeitavam.
Nunca casou ou teve filhos. Morou sozinho a vida toda, mas era visitado constantemente por aqueles que queriam soluções para os mais variados problemas. Ninguém na cidade lhe perturbava por conhecer sua fama. Assim, viveu em paz o restante de sua existência. E quando desencarnou passou a trabalhar auxiliando os irmãos menos esclarecidos. Um século depois tornou-se um dos trabalhadores da Umbanda, no Reino de Aruanda, onde passou a servir com dedicação e amor. Como gostava de sentar num toco em frente a sua cabana, para conversar, ficou conhecido como Pai João do Toco.

Baiano Tomás


Um Baiano que veio de Moçambique, mas era Português...

Kimojo-Ntoto nasceu na Ilha de Moçambique, no ano de 1583. Ele foi trazido ao Brasil ainda moleque, com 7 anos de idade. Os portugueses colonizaram Moçambique, assim como colonizaram o Brasil e Kimojo falava perfeitamente o português e seu idioma suaili. Quando os portugueses desembarcavam em Moçambique para fazer a coleta de mercadorias e o recolhimento do ouro, Ntoto os auxiliou no carregamento dos produtos.
Um dos portugueses gostou do menino e passou a chamá-lo de Tomás, em homenagem ao santo de sua devoção. Esse português, Dom Ignácio Boaventura, convidou o menino para acompanhá-lo em suas viagens marítimas. Conversou com a mãe do menino e conseguiu sua autorização. Assim, começou a história de Tomás, cheia de diferentes acontecimentos e aventuras!
Embarcaram em Moçambique com destino à Índia. Foram atacados por piratas próximo ao Porto da Somália, onde tiveram que permanecer alguns dias até se restabelecer. Na Índia, andaram por vários lugares em busca de iguarias. E depois foram ao Brasil, onde desembarcaram na Bahia de todos os Santos. Tomás estava encantado com tudo o que via e admirava-se cada vez mais com a vastidão do mundo. Ele e Ignácio ficaram muito apegados e trocavam conhecimentos de suas tradições. Ambos passaram a viver como pai e filho.
Tomás viajou para muitos lugares com Dom Ignácio. Conheceu Portugal e toda a Europa e tornou-se uma pessoa culta. Quando estava com 15 anos, Tomás retornou a Moçambique e convidou sua mãe para viajar com ele, mas ele tinha irmãos e a mãe não queria deixá-los. Ele também não queria ficar em Moçambique. Foi a última vez que viu sua mãe. Depois disso estabeleceu-se no Brasil e se tornou o braço direito de Ignácio na adminstração do comércio de ouro, pau-brasil e outros produtos.
Aos 22 anos Tomás conheceu Sueria, que era uma escrava de origem banto e tinha 18 anos. Pediu a Ignácio que a comprasse e a alforiasse para que eles pudessem se casar. Tomás e Sueria viveram bem até 1625, quando Ignácio veio falecer e eles foram "confiscados" pelo Governo de Portugal como parte das posses dos herdeiros. Tornaram-se escravos da coroa, juntamente com seu 3 filhos. Foram separados e vendidos. Tomás tentou fugir diversas vezes, mas foi morto no tronco, no local onde hoje fica o Pelourinho. Sueria morreu 2 anos depois de tristeza. Os filhos de Tomás e Sueria foram vendidos para fazendas diferentes no estado das Minas Gerais.
Esse baiano de fala mansa, tranquilo e jeito filosófico, gosta de dar conselhos e ensinar. Possui o dom de penetrar a aura das pessoas e de entender seus sentimentos. Sempre aconselha o crescimento espiritual, o estudo e a compreensão. Tomás é um trabalhador amoroso da Umbanda Sagrada!